São Paulo - Morreu na tarde de terça-feira, em Santa Fé, Novo México, o flautista Herbie Mann, um dos músicos norte-americanos que colaboraram imensamente para fundir a música brasileira ao jazz, tornando-se também um dos precursores da chamada fusion. Mann, de 73 anos, tinha câncer na próstata.
Do bebop à bossa nova, do rock à música clássica japonesa, Mann nunca se deixou apreender nos limites estritos de um gênero. Em 1990, gravou o disco ''Caminho de Casa'' (Chesky Records), no qual emparelhava sua experiência de band leader desde os anos 50 com músicos brasileiros - o percussionista Café e o violonista Romero Lubambo.
O flautista (que também tocava clarineta e saxofone) nutria grande paixão pela música brasileira. Essa aproximação começou ainda nos anos 50, quando conheceu o violonista Laurindo Almeida. Em 1995, gravou ''America/Brasil'' (selo Lightyear), nome que era também título de uma composição de Ivan Lins.
Herbie Mann veio e voltou muitas vezes ao País. Esteve participando do festival ''Chorando Alto'', no Sesc Pompéia, em São Paulo, ao lado do pianista e arranjador Clare Fischer e dos brasileiros Egberto Gismonti e o grupo Água de Moringa, entre outros. Mas também foi longe nas suas investigações dos ritmos afro-cubanos, realizando em 1959, ao lado do percussionista cubano Carlos Patato Valdes, o disco ''Flautista!'', pela Verve.
Mann começou tocando clarineta, mas depois se decidiu pela flauta como seu instrumento-solo. Ao lado de Charles Lloyd, ele ocupou um lugar de destaque no desenvolvimento da flauta na história do jazz moderno. Ao longo da carreira, tocou com Mal Waldron e Charlie Rouse (no disco Just Wailin', de 1958), com Oscar Pettiford (em Sultry Serenade, de 1957) e Buddy Collette e Buddy Clarck (em Flute Fraternity, 1957).
Recentemente, a discografia pregressa de Herbie Mann começou a chegar ao Brasil depois de muito tempo. Em 2000, a gravadora Trama reeditou preciosidades do selo Drive Archive, entre elas o disco ''The Man'', de 1957, no qual ele dividia a cena com outro grande flautista, Buddy Collette. Em 2001, saiu no Brasil o disco Nirvana. Gravado em sessões em 8 de dezembro de 1961 e 4 de maio de 1962, em Nova York, o álbum trazia a reunião de Mann com o trio do pianista Bill Evans, que ele admirava (com o baixista Chuck Israels e o baterista Paul Motian, que esteve este ano no Chivas Jazz Festival). No álbum, há duas composições de Herbie Mann, além de ''Gymnopedie'', de Eric Satie, ''I Love You'', de Cole Porter, ''Willow Weep for Me'', de Ann Ronell, e ''Lover Man'', de Jimmy Davis, Roger Ramirez e Jimmy Sherman.

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