Morre o escultor Domenico Calabrone
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quarta-feira, 05 de abril de 2000
Por Ana Weiss e Maria Hirszman 
São Paulo, 06 (AE) - Será sepultado hoje à tarde, às 17 horas, no Cemitério Congonhas, em São Paulo, o artista plástico Domenico Calabrone. O escultor, pintor e designer, que realizou sua última exposição no fim do ano passado morreu ontem, aos 72 anos, em consequência de um enfarte do miocárdio. Calabrone recebeu o prêmio pela sua obra na última edição do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes, a APCA, entregue dia 28.
Domenico Serio Calabrone nasceu em Alieta, na Itália, em 1928. Abandonou o liceu clássico para dedicar-se ao estudo da pintura e da escultura. Veio para o Brasil em 1954, onde cursou a escola de arte do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Sua obra, marcada pelo geometrismo, sempre incitou a discussão sobre os limites entre a arte e o artesanato. Quando dirigia o Masp, Pietro Maria Bardi disse que dos poucos artistas-artesãos que conhecia, Calabrone lhe parecia o mais tradicional: "Um escultor consistente e vivo ceramista e ourives, fascinado pelo interesse da forma".
A última exposição realizada pelo artista, entretanto, pouco tinha de artesanal. "A Fragmentação e o Nascimento da Forma", organizada por Jacob Klintowitz, no fim do ano passado, era articulada sobre a teoria matemática dos fractais (de Mandelbrot). As 43 obras que foram mostradas no Sesc Vila Mariana tratavam dessa charada formal: sua estrutura final era uma anologia de suas microestruturas.
A verdade é que tanto como designer de jóias quanto como escultor, Calabrone não se ateve a uma única linha de trabalho durante a vida. Ou, como definiu a crítica Radha Abramo, Calabrone soube realizar seu trabalho sob múltiplas tendências, porque o fez com segurança e critério artístico, sendo que o molde não existe como exercício de linguagem. Isso em um período (fim da década de 70) em que se exigia do artista a criação de um molde para sua trajetória, como também escreveu Radha, quando se referiu a uma exposição do artista realizada na extinta Galeria de Arte Aplicada.
Livre desse molde, o escultor ítalo-brasileiro transitou fluentemente entre a relação direta com os materiais e sua utilização (como os metais que manipulava para a criação de suas jóias) e a criação de obras públicas, como a escultura que criou para a Praça dos Franceses ou, ainda, seu projeto para a grande peça "Amor Universal", projeto que foi escolhido para ser executado em frente do Vaticano.


