O escritor, crítico teatral e professor Sábato Magaldi morreu aos 89 anos, na última quinta-feira, em São Paulo. Ele ocupava a cadeira de número 24 da ABL (Academia Brasileira de Letras). O crítico de teatro estava internado desde o dia 2 de julho no Hospital Samaritano com quadro de choque séptico e comprometimento pulmonar. Segundo a escritora Edla Van Steen, mulher do crítico, ele morreu em decorrência de uma infecção generalizada. Seu corpo foi cremado ontem, às 15 horas, no cemitério Memorial Parque Paulista, em São Paulo.
Mineiro de Belo Horizonte, nascido em 9 de maio de 1927, Sábato Antônio Magaldi não foi apenas um dos principais nomes da crítica teatral da segunda metade do século 20. Em dezenas de livros, ensaios, aulas, conferências e críticas publicadas em jornais, ele radiografou, catalogou e conferiu um significado histórico preciso à produção dramatúrgica nacional. Para o ensaísta e professor Jacó Guinsburg, um dos maiores teóricos do teatro no Brasil, o nome de Sábato Magaldi foi um dos mais representativos no processo renovador do teatro brasileiro. Guinsburg enxerga em um dos livros de Sábato, "Panorama do Teatro Brasileiro", lançado em 1962 e com uma nova edição revista e ampliada em 1998, a mais significativa abordagem histórica da arte dramática brasileira.
Sábato Magaldi mudou-se para o Rio de Janeiro em 1948, onde concluiu, no ano seguinte, o curso de Direito que havia começado na Universidade de Minas Gerais. Suas primeiras críticas foram publicadas no "Diário Carioca" a partir de 1950, em 1953 começou a escrever no jornal "O Estado de São Paulo". "Sábato Magaldi pertence à mais conceituada geração de críticos de teatro, da qual também faziam parte Décio de Almeida Prado, Anatol Rosenfeld e Yan Michalski", diz a dramaturga e novelista Maria Adelaide Amaral. "Nos anos 50, foi um dos primeiros a reconhecer o talento de Nelson Rodrigues, sobre cuja obra publicou vários estudos." Casado com a escritora catarinense Edla Van Steen, pai de dois filhos, Sábato Magaldi recebeu dezenas de prêmios e distinções, entre eles duas condecorações oferecidas pelo governo francês, escreveu 15 livros sobre o teatro brasileiro e participou de um sem número de obras coletivas que traziam o teatro como tema principal.

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