Stanley Kramer, um dos cineastas mais célebres de Hollywood, de cujo currículo fazem parte os clássicos ‘‘Matar Ou Morrer’’, ‘‘Adivinhe Quem Vem para Jantar’’ e ‘‘O Selvagem’’, morreu na última segunda-feira, de pneumonia, aos 87 anos.
Kramer viveu durante o último ano no lar da Motion Picture and Television, segundo informou a porta-voz do local Liz Dagucon. A mulher de Kramer, Karen, estava ao seu lado.
Como diretor e produtor, Kramer trabalhou com vários dos grandes nomes da época de ouro do cinema, entre eles Cary Cooper, Grace Kelly, Humphrey Bogart, Katherine Hepburn, Spencer Tracy e Gregory Peck.
Os filmes que dirigiu costumavam tratar de questões morais e sociais, como ‘‘A Hora Final’’ (1959), sobre as consequências da guerra nuclear; e ‘‘Adivinhe Quem Vem para Jantar’’ (1967), uma tentativa de estudar o preconceito racial da classe média. Este último foi indicado ao Oscar de melhor filme e melhor diretor, mas Kramer nunca chegou a levar para casa uma estatueta. Sua obra mais popular foi ‘‘Deu a Louca no Mundo’’ (1963).
Nascido em Nova York, o cineasta iniciou sua carreira como produtor independente, e seus primeiros filmes estiveram livres das interferências dos estúdios. Entre seus sucessos estão o drama ‘‘O Invencível’’ e o estudo do racismo institucionalizado no exército ‘‘Clamor Humano’’, ambos de 1949. Produziu em seguida a estréia de Marlon Brando no cinema, ‘‘Espíritos Indômitos’’ (1950), e o clássico de Arthur Miller ‘‘A Morte do Caixeiro Viajante’’ (1951). O ponto alto da sua carreira como produtor foi em ‘‘Matar Ou Morrer’’ (1952), seguido por ‘‘O Selvagem’’ e ‘‘A Nave da Revolta’’, ambos lançados em 1954.
Estreou na função de diretor com o atípico ‘‘Não Serás um Estranho’’ (1955). Após o filme de ação ‘‘Orgulho E Paixão’’, lançado dois anos mais tarde, voltou aos temas sociais com Acorrentados (1958), outro ataque ao racismo, que foi indicado ao Oscar de melhor filme e melhor diretor. Com ‘‘Julgamento em Nuremberg’’ (1961), sobre o julgamento de criminosos de guerra nazistas, recebeu outra dupla indicação ao Oscar.
Kramer costumava dizer que viveu o momento mais decepcionante da sua carreira quando ‘‘A Nau dos Insensatos’’, lançado em 1965, foi indicado a vários Oscar, entre eles de melhor filme, melhor ator e melhor atriz, mas recebeu apenas uma estatueta, a de melhor fotografia. Em entrevista ao jornal The New York Times, em 1997, ele disse: ‘‘Achei que seria um clássico. Cara, eu estava errado. Eu superproduzi (...) o filme. Eu culpo a mim mesmo’’.
Após ‘‘Adivinhe Quem Vem para Jantar’’, seus filmes nunca mais fizeram o mesmo sucesso. Kramer se aposentou em 1980, mudando-se para Seattle e retornando mais tarde para Hollywood.

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