Algo era mais do que percussão quando Naná Vasconcelos erguia seu pau de chuva para o céu. A chuva logo virava uma tempestade e quem estava diante dela podia sentir até os trovões. Os sons de Naná ganhavam vida além da música que fez desse pernambucano um gigante. Ele dominava de plateias enormes em salas de concerto a humildes salas de aula pelo interior do País com alunos interessados em sua magia. O mundo o descobriu com a surpresa de quem se vê diante dos bruxos.
Naná era no batismo Juvenal de Holanda Vasconcelos, nascido a 2 de agosto de 1944 no seu eterno Recife. A revista norte-americana Down Beat, referência no meio do jazz e da música instrumental, o elegeu por oito vezes como "o melhor percussionista de mundo". Tudo o que sabia havia sido semeado nos dias de sua infância, quando acompanhava o pai em uma banda marcial recifense. O assombro com sua capacidade de criar climas e de fugir das convencionais percussões de acompanhamento foi imediato.
Mesmo sabendo que estava doente desde 2015, Naná Vasconcelos não dizia não aos convites que lhe surgiam. Os pernambucanos, que o têm como uma entidade, não deixaram de chamá-lo para ganhar honras de Estado sobretudo durante o carnaval. Em fevereiro, foi Naná, em pleno tratamento contra o câncer no pulmão, quem deu a largada às festas dos recifenses no Marco Zero. Naná lutou o quanto pode contra a doença nos pulmões, mas veio a falecer no último dia 9.

No exterior, Naná se tornou um dos representantes da música brasileira mais festejados. Foi eleito oito vezes "o melhor percussionista do mundo" pela revista Down Beat

O músico usava de forma não convencional o berimbau, uma de suas marcas

O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional

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