Morreu na terça-feira (6), aos 85 anos, o artista plástico catarinense Juarez Machado. A arte brasileira perde também ludicidade, movimento e cor com a morte do artista, que atuou, ainda, como chargista, cenógrafo, ator e figurinista.

Ele chegou à fama apresentando-se no Fantástico em 1974, onde fazia um quadro de humor em que aparecia com o rosto pintado de branco, expressando-se apenas através da mímica e interagindo com seus próprios desenhos. A trilha sonora era do maestro Júlio Medaglia e o quadro durou quatro anos.

Nas artes plásticas Juarez Machado firmou-se como um expoente nacional. Depois de deixar o Fantástico, foi estudar arte em Nova York e Londres, mas radicou-se em Paris. Suas obras, com traços de humor, carregam uma observação atenta do cotidiano.

Elegante, Juarez às vezes vestia-se como um pintor do ínicio do século 20, encarnando o espírito dos que transitavam por Montmartre, o bairro boêmio de Paris.

Entre os anos 1970 e 1980, Londrina conheceu de perto suas obras, elas faziam parte do catálogo da Galeria Bahiarte, comandada pela marchand Ana Maria Barreto, falecida em 2023, que conectou a cidade a grandes nomes da arte nacional. Ana Maria também era amiga pessoal de Juarez e colocou sua obra em residências de Londrina que, no momento, vivia uma explosão de prosperidade, com a elite primando pela decoração das casas com arte.

OBRAS NO MAL

Parte do legado de Juarez Machado na cidade encontra-se no MAL - Museu de Arte de Londrina - que tem três obras do artista: A Mesa de Sopa; Copacabana X Ipanema / Leblon e Ateliê Nice - France - doadas por colecionadores.

"Ter obras de artistas com a grandeza de Juarez Machado é muito importante para o MAL", destaca a a Diretora de Ação Cultural Malu Fontenelle. "Sua tela A Mesa de Sopa, que pertence ao acervo, chama muito a atenção do público nas exposições, trata-se de uma natureza morta de grande expressividade e que sempre suscita perguntas nas visitas guiadas."

Juarez expôs em países da Europa e dos Estados Unidos, conquistou prêmios em salões de arte no Brasil e no exterior. Em Joinville (SC), um teatro leva seu nome e a cidade sedia o Instituto Juarez Machado na antiga casa de seus pais - www.institutojuarezmachado.com.br

O artista estava internado em Vassouras (RJ), onde tratava uma pneumonia até sofrer um infarto na terça-feira (6). Com sua morte, a arte brasileira despede-se também de sua genialidade, temperada com cenas cotidianas e um humor fino.

mockup