Paris - O escritor francês Jacques Borel, prêmio Goncourt 65 por ''L'adoration'' e autor de uma obra essencialmente autobiográfica, morreu quarta-feira da semana passada após uma longa enfermidade aos 76 anos em um hospital parisiense, mas sua morte só foi anunciada anteontem através da editora Gallimard.
Romancista mas também ensaísta (notadamente sobre Proust e Joyce), poeta e dramaturgo, Jacques Borel, homem discreto que vivia há muito tempo em Bures-sur-Yvette, na região parisiense, explorou em seus numerosos livros o tema da memória. Recebeu especialmente o grande prêmio de literatura da Société des Gens de Lettres em 1993.
Nascido em dezembro de 1925 em Saint-Gaudens (sul da França), formado em letras, leciona como professor de inglês antes de colaborar em diversas revistas. Jacques Borel, então pai de cinco filhos, é um desconhecido nos meios literários quando os jurados do Goncourt lhe atribuem em 1965 seu prêmio, com ''L'adoration'', seu primeiro romance.
Em 600 páginas, o escritor se dedica a uma poderosa introspecção na qual a figura da mãe (o jovem Jacques ficou muito cedo órfão de pai) é fundamental. Esta confissão leva a uma pesquisa de um ser em busca de si mesmo e de suas fontes profundas, em torno de experiências sentimentais ou intelectuais. Os críticos falaram nesta ocasião ''de evocação proustiana'' sobre as relações com a mãe e o tempo perdido.
Escreve em seguida ''Le retour'', ''La dépossession'' (onde o autor usa o diário da doença de sua mãe), ''L'attente'', ''Le déferlement'', ''L'effacement'', ''L'aveu différé'': estes livros, e outros, constituem, segundo ele, ''a transcrição exata de minha vida''. Seu último romance foi em 2001, ''La mort de Maximilien Lepage, acteur''.
''Meu segredo é talvez não poder amar um ser vivo, um ser de carne e osso, todo este tumulto nele, esta exigência ou esta recusa, mas somente a imagem, a lembrança ou a saudade que tenho dele'', disse ao Le Monde aquele que, aliás, foi o editor das Obras Completas de Verlaine na Pléiade.

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