Morre filha de Vinicius de Moraes
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Agência Estado 
São Paulo Morreu ontem, aos 74 anos, a atriz e diretora Suzana de Moraes. Filha mais velha de Vinicius de Moraes, Suzana sofria de câncer no endométrio. Ela era casada com a cantora Adriana Calcanhotto, com a qual oficializou união em 2010.
Como atriz, Suzana participou de diversos filmes, como "Garota de Ipanema" (1967), de Leon Hirszman, "O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil" (1971), de Antonio Calmon, "O Gigante da América" (1978) e "Tabu" (1982), ambos de Julio Bressane. Sua última aparição foi em "Perfume de Gardênia" (1992), de Guilherme de Almeida Prado.
Passando para trás da câmera, Suzana dirigiu o longa "Mil e Uma", no período recente mais difícil do cinema brasileiro, praticamente desmantelado na era Collor. Na ocasião do lançamento do longa, em depoimento, Suzana lembra que sua proximidade com a arte cinematográfica muito devia ao convívio com o pai, que fora crítico de cinema na juventude e, mais tarde, como diplomata em Los Angeles, mantinha amizade com o pessoal do cinema norte-americano que frequentava sua casa.
Disse que, ao voltar para o Brasil, sentia-se meio blasé com a cultura nacional e considerava o cinema brasileiro inferior ao que vira em Hollywood. Depois se converteu ao cinema nacional, que na época vivia sua melhor fase, com a renovação do Cinema Novo e, em seguida, do assim chamado Cinema Marginal. Não por acaso, participou de vários filmes de Julio Bressane, que, ao lado de Rogério Sganzerla, era o mais conhecido dos diretores do "gênero".
Seu trabalho em longa-metragem de ficção, "Mil e Uma" (1994) revela-se um filme interessante, que bebe diretamente da crise em que vivia o cinema brasileiro quando a ideia foi concebida e realizada. A história é a de Alice (Giovanna Gold), que deseja rodar um filme sobre a suposta passagem de Marcel Duchamp pelo Brasil. Num enredo pontuado por certo surrealismo (o nome da personagem remete a Lewis Carrol e sua Alice no País das Maravilhas), a obra fala, também, e talvez, em especial, da dificuldade em ser artista num país chamado Brasil.
Esta autorreferência, que andou na moda durante certo tempo, rouba a Mil e Uma um pouco da força. Ou assim pareceu na época. Mesmo assim, em tempos de vacas esquálidas da produção nacional, venceu um Prêmio Especial do Júri no Festival de Gramado e os troféus de melhor roteiro, montagem, fotografia e direção de arte no de Brasília. Merece uma revisão crítica.
Nos créditos de cineasta de Suzana de Moraes figuram também o documentário "Adriana Partimpim ao Vivo" e "Adriana Calcanhotto - Público", sobre shows da parceira, também dirigidos por Suzana.


