Mauro Dias
Agência Estado
Carlos Cachaça morreu ontem, dormindo, como, disse uma vez, preferiria. Tinha 97 anos. Era mais velho do que o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que ajudou a fundar. Era mais antigo, mesmo, do que a Favela da Mangueira. No registro civil, era Carlos Moreira de Castro. Na Mangueira, era seu Carlos. Para a história do samba, do Carnaval, da música brasileira, o nome era o que está na placa da rua de sua casa. Carlos Cachaça.
Ele foi o criador do samba-enredo, tal como o conhecemos hoje - aquele samba que tem uma história como tema e utiliza personagens para dar corpo à narrativa.
O grupo de fundadores da Mangueira era formado por Cartola, Saturnino Gonçalves, Massu, seu Euclides, Zé Espinguela, Pedro Caim e Abelardo da Bolinha. Carlos Cachaça não foi assinar a ata da fundação. ‘‘Eu estava de serviço, naquele dia’’, contava o ferroviário aposentado.
Carlos Cachaça frequentou os terreiros das tias baianas, aprendeu tudo sobre o samba e uniu os grupos rivais do morro fazendo, assim, surgir a escola de samba da Mangueira. Compôs mais de 300 sambas com Cartola. Era, com Zé Ramos e Nelson Sargento, o trio mais antigo da escola. Com eles, também já idosos, embora ativos, fica o trono. Que a Mangueira os cante no Carvanal que vem.

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