A jovem garota tímida, no canto dos estúdios de gravação, observava impressionada o tamanho das câmeras e da equipe que cercava todo aquele evento cinematográfico. Nervosa, apertando as próprias mãos, a inglesinha, no auge de seus dez anos, simplesmente não podia acreditar que aquilo não era um sonho. Ela, logo ela, tinha sido 'a' escolhida, entre tantas outras crianças, para participar de um filme de verdade. ''Liz, está na hora de gravar''. Neste momento, alguma coisa dentro da criança mudou profundamente, e a pequena suspirou fundo, com fogo em seus olhos. Ela sabia exatamente o que queria ser pelo resto vida.
Por muitas vezes Elizabeth Taylor falou sobre sua estreia nas telas do cinema e a virada em seu destino que teve como cenário aquele estúdio, em uma manhã chuvosa de 1943, nos bastidores do filme ''Lassie: Come Home''. O filme foi um sucesso, com a jovem surpreendendo e encantando o mundo com sua performance e carisma.
Com a carreira em ascensão, um dos papéis marcantes de Liz Taylor - já adulta e chamando a atenção pela sua incrível beleza e olhar hipnotizante - foi no fim de 1949 quando, interpretando o papel da cruel socialite Angela Vickers, no filme ''A Place in the Sun''. Este personagem é considerado, por muitos, a melhor atuação de toda a carreira de Taylor, e marcou o amadurecimento da atriz, que reclamava de atuar em papéis sem profundidade.
A ascendência de Liz Taylor em sua carreira cinematográfica veio acompanhada do desequilíbrio físico e emocional da atriz; ela já não era mais a garotinha tímida de antigamente, e ficava cada vez mais famosa pela sua impaciência e por causar polêmica em todos os sets que passava, além de construir uma obsessão por jóias e diamantes. Mesmo com um cotidiano pautado no abuso de álcool e remédios, o magnetismo causado pelos seus olhos violetas nas telas do cinema pareciam não ter fim.
Em 1960, Elizabeth Taylor era a atriz mais bem paga de Hollywood, e foi a estrela principal da filmagem bizarra e multimilionária de ''Cleópatra''; o papel marcou sua carreira mais pelas brigas homéricas no set e pelo romance tórrido com Richard Burton - um de seus oito maridos durante a vida - do que propriamente pela sua atuação. Apesar de ser considerado o filme mais caro da história e de quase levar a FOX à falência, apenas a beleza estonteante de Cleópatra na película colorida foi uma das poucas coisas ali que eram realmente dignas de reverência.
Em 1960, no meio das turbulências de sua vida pessoal, Liz conseguiu ganhar o Oscar de Melhor Atriz pelo filme ''Disque Butterfield 8''. Seu segundo prêmio da Academia veio pela sua performance em ''Who's Afraid of Virginia Woolf?'', de 1966. No final da década, porém, seu prestígio diminuiu consideravelmente, e o descontrole da atriz começou a ficar mais evidente. Na década de 70, Liz já não conseguiu emplacar nenhum filme. Em meados de 1980, a atriz já se restringia a fazer apenas peças de teatro, deixando de encantar as multidões que a veneravam no passado.
Seu último filme a estreiar nos cinemas foi a comédia ''Os Flintstones'', de 1994, e foi um fiasco nas bilheterias. Em paralelo a isso, Elizabeth Taylor se dedicava ativamente em ações filantrópicas, levantando fundos para as campanhas contra a AIDS. Mesmo tendo nascido fora dos EUA, em 2001 a atriz recebeu do presidente Bill Clinton uma importante medalha de reconhecimento, oferecida pelos seus trabalhos filantrópicos.
Taylor foi diagnosticada em 2004 com insuficiência cardíaca congestiva, e vinha em tratamento desde então. Em fevereiro de 2011, apareceram novos sintomas relacionados à sua insuficiência cardíaca, o que a levou a ser internada no Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, para tratamento. Os olhos violetas, que um dia encantaram o mundo, se fecharam para sempre na manhã de ontem, com a morte da atriz, aos 79 anos de idade.

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