Morre a atriz Odete Lara, musa do Cinema Novo
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015
Camila Appel<br>Folhapress 
São Paulo - Morreu ontem em uma casa de repouso na zona norte do Rio, aos 85 anos, a atriz Odete Lara, vítima de um infarto. O corpo será cremado hoje em Nova Friburgo (RJ).
Filha de imigrantes italianos, a atriz nasceu em São Paulo, em 1929, como Odete Righ, herdando o sobrenome da mãe, devido ao fato de seu pai já ser casado. Quando começou a carreira de atriz, num comercial na então recém-inaugurada TV Tupi, chamou a atenção por se recusar a sorrir, uma atitude nada comum para alguém tentando vender um produto.
O ar enigmático e sua beleza falaram mais alto, e essa musa incomum virou atriz da TV Tupi, encarnando a rainha má da Branca de Neve. Participou de telenovelas e foi estrela de um famoso programa de adaptação de clássicos da literatura.
Odete também foi modelo, participando do primeiro desfile da moda brasileira, realizado no MASP em 1951, e cantora de shows como "Skindô", ao lado de Vinicius de Morais, e "Meu Refrão", com Chico de Buarque.
Também escreveu três livros autobiográficos, "Eu Nua", "Minha Jornada Interior" e "Meus Passos na Busca da Paz", e traduziu várias obras do budismo.
Foi atriz de teatro, iniciando no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia),mas se destacou mesmo no cinema. Fez 32 filmes entre 1956 e 1979. Estreou ao lado de Mazzaropi até se tornar musa do cinema novo, com destaque para o polêmico "Noite Vazia" (1964), de Walter Hugo Khouri, e o premiado "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" (1969), de Glauber Rocha.
Foi casada com o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho e com o diretor de cinema Antonio Carlos Fontoura. Não teve filhos.
Odete foi premiada no Festival de Gramado por sua contribuição ao desenvolvimento do cinema brasileiro e ganhou o APCA em 1975 pelo conjunto da obra. Seu último longa, em 1979, foi "O Principio do Prazer".


