Morphogenesis: formas em evolução
Formado em Londres, em 1985, por Adam Bohman (violino preparado, balalaica, objetos), Ron Briefel (vocais, eletrônica, engenharia), Clive Graham (eletrônica, tapes), Clive Hall (guitarra, percussão, objetos, teclados, eletrônica, engenharia, piano), Michael Prime (water machine, biofeedback, rádio, eletrônica, engenharia) e Roger Sutherland (percussão, piano), Morphogenesis é um grupo que, com notáveis resultados, explora as possibilidades da improvisação eletroacústica coletiva. Seus membros possuem backgrounds diversos, como o ensino de música eletrônica e participações em outros grupos de vanguarda como a Scratch Orchestra de Cornelius Cardew, Nurse With Woud e Organum. Sua música abstrata, alheia a qualquer concessão comercial é criada durante a própria performance ao vivo ou no momento da gravação em estúdio, sem qualquer idéia de estrutura preconcebida. A única decisão prévia é quanto aos instrumentos que serão utilizados; todo o resto resulta da interação entre os instrumentistas, do diálogo que se instaura ao longo da execução e das idéias e soluções musicais que cada um deles é capaz de desenvolver em favor do conjunto.
Música de risco, imprevisível, mas nunca música caótica, fora de controle, envolve a unificação e interação de três eixos sonoros: instrumental (que inclui a utilização de instrumentos construídos pelos próprios membros do grupo combinando madeira, metais, vidro, entre outros materiais , bem como a de instrumentos convencionais guitarra, piano, violino , porém eletronicamente modificados ou preparados por meio da inserção de vários objetos entre as suas cordas, o que lhes proporciona novas colorações sonoras), eletrônica e sons ambientes (nas apresentações ao vivo, esses sons do vento, da chuva, do tráfego, etc. são captados por microfones de controle remoto instalados do lado de fora e modificados eletronicamente durante a performance).
Há 15 anos em atividade, Morphogenesis tem uma discografia relativamente pequena, iniciada com o álbum Formative Causation, lançado em 1986 pela Mycophile Records (selo pertencente a Michael Prime) e reeditado em 1997. Vieram depois Prochronisms (Pogus Productions), que reúne gravações realizadas entre 1987 e 1989, Stromatolites (Vintage Electronic Records selo de Roger Sutherland , s/d), relançado no ano passado, Solarisation (Streamline, 1991/1993) e Charivari Music (Paradigm Discs selo de propriedade de Clive Graham , 1995/1996). Individualmente, Michael Prime lançou os álbuns Fructification (1987/1989), Cellular Radar ( 1996) e Domestic Science (1998) todos pela Mycophile e Adam Bohman realizou Last Orders (Mycophile, 1989/1995-1997) e Music and Words (Paradigm, 1990-1994) trabalhos que se mantiveram fiéis às propostas desenvolvidas pelo Morphogenesis, cuja música altamente inventiva pode ser descrita como o equivalente aural da action painting de Jackson Pollock ou uma fascinante (e instigante) instalação sonora.
(Apesar do seu prestígio junto à crítica de música experimental e os fãs da free improvisation eletrônica e eletroacústica, Morphogenesis continua pouco conhecido, mesmo na Europa. Seus discos saem por minúsculos selos independentes, em tiragens bastante limitadas, e as chances de algum deles vir a ser lançado no Brasil são praticamente nulas. No entanto, apesar das dificuldades e dos custos de importação , vale a pena ir à caça desses álbuns. Para tanto, sugiro começar pela página do grupo. Digite www.dfuse.com/the-wire, clique em Links, depois em Music Zines and Publishers, EST, Interviews, Morphogenesis e, novamente, o nome do grupo na frase There is Morphogenesis page at European Free Improvisation..., encontrável no alto da primeira página da entrevista. Depois, procure o item Recordings e clique nos títulos dos discos, que remeterão a uma lista onde você poderá localizar os selos pelos quais foram lançados. Ah, sim... aproveite e ouça os audio samples extraídos de Solarisation. Cada um deles tem apenas 1 minuto de duração, mas bastam para provar que, desde a década passada, o Morphogenesis vem construindo a música do século 21.)
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