'Morgue Story' nas telonas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Um improvável enredo envolvendo uma quadrinhista egocêntrica, um médico legista pervertido e um cataléptico experiente em morrer e ressuscitar foi um dos ingredientes que fizeram de ''Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos'' um dos grandes sucessos da companhia Vigor Mortis e também do teatro curitibano recente. Agora esta história ganha a tela do cinema, dirigida por Paulo Biscaia Filho, que também a escreveu e dirigiu nos palcos.
O filme será exibido pela primeira vez hoje na Cinemateca de Curitiba, com sessões às 19h e às 21h30. A entrada é gratuita, e o público deve retirar convites com antecedência no local.
Com referências aos quadrinhos, filmes de Quentin Tarantino e cinema trash, a trama de ''Morgue Story'' se passa, na maior parte do tempo, em um necrotério onde trabalha o Dr. Daniel Torres (Leandro Daniel Colombo), um legista que tem como perversão envenenar mulheres com uma poção secreta que induz à catalepsia para violentá-las. Sua história se cruza com a de outros dois personagens: a vítima Ana Argento (Mariana Zanette) e Tom (Anderson Faganello), um cataléptico que por ironia trabalha vendendo seguros de vida.
Nesta adaptação para as telas, foi possível ampliar geograficamente a história com mais cenas, personagens e locações, mantendo o enredo que já era visto nos palcos. ''Muitas coisas que eram apenas citadas na peça, ganharam forma no filme. A diferença principal entre dirigir esta história para o cinema é que tínhamos uma base para filmar, que era a peça. Quando essa história foi para o teatro, ela só existia no papel'', comenta Paulo Biscaia Filho.
O maior trunfo é que o filme não se transformou em um ''teatro filmado''. O diretor explorou recursos cinematográficos como jogo de plano e contraplano, câmera dinâmica, ângulos inusitados e recursos digitais. Biscaia explica que a peça original se pretendia como cinema no palco. ''O espetáculo inseria elementos de cinema no teatro, como a temática, as projeções em vídeo e a linguagem de interpretação, que buscava uma canastrice intencional de cinema, diferente da canastrice de teatro'', cita.
Como cinema nacional, o filme marca mais um ponto por trazer um humor ácido e negro que raramente é abordado nas produções brasileiras. ''É interessante citar que este não é um filme meu, mas de toda a companhia Vigor Mortis. E nós sempre acreditamos no mote de que desejamos como resultado final um filme que a gente gostaria de ver'', afirma o diretor.
SERVIÇO
Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos
Quando - Hoje, com sessões às 19h e 20h30
Onde - Cinemateca (R. Carlos Cavalcanti, 1.174), em Curitiba Quanto - Entrada franca. Os convites devem ser retirados com antecedência no local
Classificação - 14 anos
Mais informações - (41) 3321-3270


