'Moreninhas' e 'gazelas' não seduzem os adolescentes
As exigências do vestibular aliada à falta de ousadia na didática acabam massacrando o hábito de leitura entre muitos jovens. Mesmo aqueles que na infância estavam habituados à leitura, aos poucos, quando chegam ao ensino médio, não resistem aos dinossauros das letras. Moreninhas, gazelas, senhoras se tornam sinônimos de chatice. Mas os estudantes têm um ''aliado'' para vencer até um tiranossauro rex da literatura: a Internet.
Num download rápido, é possível conseguir resumos e apreciações críticas de incontáveis obras clássicas da literatura brasileira que integram os livros didáticos. E isso se tornou comum entre os estudantes. Em Londrina, Rafael Augusto e Taigoara Martins, alunos da 1 série do ensino médio da Escola Adventista, durante esse ano letivo receberam a incumbência de ler 5 livros, o que é pouco. Rafael chegou a metade de ''A Moreninha'', de Joaquim Manoel de Macedo. Taigoara ultrapassou a marca do amigo, lendo ''A Pata da Gazela'', de José de Alencar e ''Vida Secas'', de Graciliano Ramos.
''A Moreninha é bem podre. Tem um carinha tentando conquistar a menina. Ele vai e vem, demora e aí no final ele consegue'', resume, literalmente. Mas se a linguagem não agrada, qual seria a versão atual? ''O cara (Augusto, personagem principal do romance) deveria fazer outras coisas, mudar a rotina, não ficar em função da menina (Carolina) o tempo todo. O livro poderia ser menos artificial. Ele poderia fazer algo do tipo ir ao shopping, pegar um cineminha'', resume, a sua moda.
''O que dá a cara do livro é a 1º página'', constata Rafael. Alguns livros do século 19, como observa Taigoara, é preciso ler de duas a três vezes a mesma página. Questionados sobre o que poderá acontecer com o distanciamento da leitura, Taigoara e Rafael respondem rápido: ''seremos prejudicados no vestibular''.
Se na infância existia o hábito de leitura, hoje o que chama a atenção é o tamanho do livro (que nunca ultrapasse as 150 páginas). Um título legal também atrai. Os estudantes reclamam da falta de opções de literatura atual na biblioteca da escola e na Biblioteca Pública de Londrina. Eles acreditam que os professores não têm noção e acabam afastando os alunos da leitura. ''Vidas Secas não é livro para jovem. O autor escreve bem, mas o tema é deprimente. Eu já assisto ao Jornal Nacional, não quero ficar deprimido, quero me divertir'', afirma Taigoara.
Para reativar a amizade com as letras, Taigoara Martins sugere que os alunos também façam sugestões de leituras. Ele recomenda um livro de mistério: ''O Escaravelho do Diabo'', de Lúcia Machado de Almeida.(F.F.)





