Mordomias são ponto alto da viagem
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de dezembro de 1997
Agência Estado 
Você provavelmente já deve ter ouvido dezenas de opiniões controversas sobre os cruzeiros marítimos. Desde os que acham as viagens maçantes, enjoativas, formais e nada além do que um ícone da terceira idade, aos que encontram no convés uma forma de lazer segura, relaxante e, acima de tudo, pródiga em mordomias. Imensos, luxuosos e principalmente ecléticos, os navios conseguem comportar todas estas opiniões e dar razão tanto aos entusiastas quanto aos desafetos dos mares. O que importa, neste caso, para que as férias a bordo sigam por águas calmas, é mesmo o estado de espírito do turista.
Em poucos lugares do mundo as mordomias são tão cultuadas como nos compartimentos dos navios. O grande inconveniente dos cruzeiros é que raramente as formalidades são dispensadas: jantares costumam exigir trajes pomposos, a possibilidade de jantar com o comandante atiça os passageiros e atravessar todo o dia com a mesma roupa pode soar de péssimo tom. Essa maratona estética pode não combinar com o clima de férias, mas acaba sendo uma das grandes preocupações sobre as ondas.
Com um providencial empurrãozinho do cinema e da literatura, os cruzeiros ainda exibem a aura da mais mítica entre todas as viagens. A tripulação, no que compete a ela, faz o possível para levar o charme adiante: os garçons são poliglotas, criam malabarismos para entreter e aproximar os turistas na hora das refeições, chegam a cantar e dançar para injetar alguma dose de ânimo em um ambiente que teria tudo para parecer asséptico.
Os grandes momentos de descontração, além do desembarque nas ilhas, ficam mesmo por conta dos cassinos, do karaokê e das festas temáticas, que costumam ocorrer quase todos os dias. Para quem está mesmo disposto a embarcar neste misto de shopping, spa e restaurante flutuantes, só um conselho: evite viajar sozinho. As noites a bordo costumam ser românticas demais para serem desperdiçadas com leituras na cabine.


