Moraes faz filme para público infanto-juvenil
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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 25 (AE) - Não é preciso ser condescendente para destacar o que "No Coração dos Deuses" tem de mais valioso. O filme de Geraldo Moraes, já exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e atualmente concorrendo no Festival de Brasília, revela cuidado de produção e encerra um elogiável esforço de dialogar com o público infanto-juvenil. Tirando Xuxa e os Trapalhões, não são muitos os filmes realizados para esse segmento no Brasil. Mas, se a intenção é válida e o esforço apreciável, o resultado é modesto.
É a história de um grupo de aventureiros que procura um tesouro. O grupo é guiado por um mapa do século 17. Como ocorre com frequência em produções de ficção científica, principalmente do cinema americano, seus integrantes entram numa fenda do tempo e vão parar na época dos bandeirantes.
Moraes quis fazer uma aventura movimentada. Nada a objetar. Embora muitos críticos tendam a considerar a aventura um gênero menor, alguns dos clássicos da história da humanidade, e isso desde Homero, são aventuras. O problema é que Moraes fica na superfície de uma boa aventura.
Falta-lhe mais inventividade. Se o filme, com seu grupo heterogêneo (um antiquário, um falsário, um garotão e seu tio), sugere alguma coisa como um Indiana Jones à brasileira, com seus índios ferozes e rudes desbravadores, faltam ao diretor o entusiasmo e a dinâmica que teriam feito de "No Coração dos Deuses" um sucesso. O ritmo é lento, as soluções são quase sempre banais (como se, para dialogar com crianças, o diretor não pudesse ser ousado), as caracterizações nem sempre convencem
embora o elenco tenha nomes de peso, como Antônio Fagundes e Roberto Bonfim.
Moraes é o diretor de "A Difícil Viagem". Terá atingido seu objetivo se o filme despertar no público jovem o interesse pela época focalizada. "No Coração dos Deuses" pode ser o ponto de partida para a leitura de muitos livros interessantes.


