Montenegro ganha prêmio de melhor atriz
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Marcelo Bernardes Especial para AE 
Fernanda Montenegro mantém-se cada vez mais próxima de uma indicação para o Oscar. Depois de ter sido eleita a melhor intérprete de 1998 pelo National Board of Review, entidade nova-iorquina formada por críticos, teóricos e escritores, a carioca foi considerada também a atriz do ano pela Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles por sua atuação em Central do Brasil, de Walter Salles.
A atriz brasileira dividiu o prêmio, anunciado na tarde de sábado, com a americana Ally Sheedy, que interpreta uma fotógrafa homossexual e viciada em heróina no filme independente High Art, estréia na direção de Lisa Cholodenko e apresentado com o longa de Salles no último Festival de Sundance.
Caso Fernanda vença ainda os prêmio do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York esta semana e da Associação Nacional de Críticos de Cinema no começo de janeiro, será quase certa sua vaga no Oscar. No ano passado, a atriz inglesa Helena Bonham Carter que, como Fernanda, foi contemplada tanto pelo NBR quanto pelos Críticos de Los Angeles, acabou sendo indicada para o prêmio da academia por sua participação em Asas do Amor, produção baseada em romance de Henry James.
O prêmio dos Críticos de Los Angeles a Fernanda Montenegro foi o terceiro dado a um brasileiro. Em 1975, ano da criação dessa entidade, a atriz cearense Florinda Bolkan recebia também o de melhor atriz por sua performance em Amargo Despertar, do cineasta italiano Vittorio de Sica. Pixote, de Hector Babenco, foi eleito o filme estrangeiro do ano em 1981.
Além de Fernanda, Florinda e Helena Bonham Carter, a lista de outras vencedoras do prêmio de melhor atriz por essa entidade incluem, entre outras, Liv Ullmann (Face a Face, 1976); Jane Fonda (Amargo Regresso, 1978); Meryl Streep (A Mulher do Tenente Francês, A Escolha de Sofia e Entre Dois Amores, de 1981, 1982 e 1985, respectivamente); Anjelica Huston (Os Imorais, 1990); Emma Thompson (Retorno a Howards End, 1992); Jessica Lange (Céu Azul, 1993) e Brenda Blethyn (Segredos e Mentiras, 1996).
Ao contrário da premiação do NBR, que escolheu o independente Gods and Monsters, sobre a vida do cineasta James Whale, que se matou na piscina de sua casa em 1957, depois de uma carreira de franco declínio em Hollywood, o melhor filme do ano, segundo os Críticos de Los Angeles, foi O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg, eleito também o melhor diretor. O terceiro prêmio ao filme sobre a invasão da Normandia foi dado a fotografia de Janusz Kaminski, que recebeu o Oscar por A Lista de Schindler. Já Ian McKellen, que interpreta Whale em Gods and Monsters, se consagrou o melhor ator, confirmando o favoritismo desse inglês ao Oscar.
Os críticos de Los Angeles escolheram o longa Festa de Família, do dinamarquês Thomas Vinterberg, como o melhor filme estrangeiro do ano, batendo os favoritos Central do Brasil e A Vida É Bela, do italiano Roberto Benigni. Billy Bob Thornton e Bill Murray dividiram o prêmio de ator coadjuvante respectivamente por Um Plano Simples, de Sam Raimi, e Rushmore, de Wes Anderson. O diretor Anderson, de apenas 26 anos, é a promessa mais quente em Hollywood depois de Quentin Tarantino. Ele conquistou também o prêmio especial de Nova Geração.
Outros prêmios foram o de melhor atriz coadjuvante, para Joan Allen, por Pleasantville, filme que levou menção para seu desenho de produção; melhor longa de animação (Vida de Inseto, da Disney e Pixar) e trilha sonora (dividido entre Fúria Inocente, de Neil Jordan, e Gods and Monsters, de Bill Condon). A entrega dos prêmios ocorre no dia 20 de janeiro, no Hotel Bel Age, em Los Angeles.


