Fernanda Montenegro mantém-se cada vez mais próxima de uma indicação para o Oscar. Depois de ter sido eleita a melhor intérprete de 1998 pelo National Board of Review, entidade nova-iorquina formada por críticos, teóricos e escritores, a carioca foi considerada também a atriz do ano pela Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles por sua atuação em ‘‘Central do Brasil’’, de Walter Salles.
A atriz brasileira dividiu o prêmio, anunciado na tarde de sábado, com a americana Ally Sheedy, que interpreta uma fotógrafa homossexual e viciada em heróina no filme independente High Art, estréia na direção de Lisa Cholodenko e apresentado com o longa de Salles no último Festival de Sundance.
Caso Fernanda vença ainda os prêmio do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York esta semana e da Associação Nacional de Críticos de Cinema no começo de janeiro, será quase certa sua vaga no Oscar. No ano passado, a atriz inglesa Helena Bonham Carter que, como Fernanda, foi contemplada tanto pelo NBR quanto pelos Críticos de Los Angeles, acabou sendo indicada para o prêmio da academia por sua participação em ‘‘Asas do Amor’’, produção baseada em romance de Henry James.
O prêmio dos Críticos de Los Angeles a Fernanda Montenegro foi o terceiro dado a um brasileiro. Em 1975, ano da criação dessa entidade, a atriz cearense Florinda Bolkan recebia também o de melhor atriz por sua performance em ‘‘Amargo Despertar’’, do cineasta italiano Vittorio de Sica. ‘‘Pixote’’, de Hector Babenco, foi eleito o filme estrangeiro do ano em 1981.
Além de Fernanda, Florinda e Helena Bonham Carter, a lista de outras vencedoras do prêmio de melhor atriz por essa entidade incluem, entre outras, Liv Ullmann (‘‘Face a Face’’, 1976); Jane Fonda (‘‘Amargo Regresso’’, 1978); Meryl Streep (‘‘A Mulher do Tenente Francês’’, ‘‘A Escolha de Sofia’’ e ‘‘Entre Dois Amores’’, de 1981, 1982 e 1985, respectivamente); Anjelica Huston (‘‘Os Imorais’’, 1990); Emma Thompson (‘‘Retorno a Howards End’’, 1992); Jessica Lange (‘‘Céu Azul’’, 1993) e Brenda Blethyn (‘‘Segredos e Mentiras’’, 1996).
Ao contrário da premiação do NBR, que escolheu o independente Gods and Monsters, sobre a vida do cineasta James Whale, que se matou na piscina de sua casa em 1957, depois de uma carreira de franco declínio em Hollywood, o melhor filme do ano, segundo os Críticos de Los Angeles, foi ‘‘O Resgate do Soldado Ryan’’, de Steven Spielberg, eleito também o melhor diretor. O terceiro prêmio ao filme sobre a invasão da Normandia foi dado a fotografia de Janusz Kaminski, que recebeu o Oscar por ‘‘A Lista de Schindler’’. Já Ian McKellen, que interpreta Whale em Gods and Monsters, se consagrou o melhor ator, confirmando o favoritismo desse inglês ao Oscar.
Os críticos de Los Angeles escolheram o longa ‘‘Festa de Família’’, do dinamarquês Thomas Vinterberg, como o melhor filme estrangeiro do ano, batendo os favoritos ‘‘Central do Brasil’’ e ‘‘A Vida É Bela’’, do italiano Roberto Benigni. Billy Bob Thornton e Bill Murray dividiram o prêmio de ator coadjuvante respectivamente por ‘‘Um Plano Simples’’, de Sam Raimi, e Rushmore, de Wes Anderson. O diretor Anderson, de apenas 26 anos, é a promessa mais quente em Hollywood depois de Quentin Tarantino. Ele conquistou também o prêmio especial de Nova Geração.
Outros prêmios foram o de melhor atriz coadjuvante, para Joan Allen, por Pleasantville, filme que levou menção para seu desenho de produção; melhor longa de animação (‘‘Vida de Inseto’’, da Disney e Pixar) e trilha sonora (dividido entre ‘‘Fúria Inocente’’, de Neil Jordan, e Gods and Monsters, de Bill Condon). A entrega dos prêmios ocorre no dia 20 de janeiro, no Hotel Bel Age, em Los Angeles.

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