MONTEIRO LOBATO - No Reino de Narizinho
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de dezembro de 2007
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Sonhando acordado, Monteiro Lobato (1882-1948) abriu as portas do reino do pensar, onde boneca de pano fala feito gente, sabugo de milho é metido a sábio e ninguém precisa ter medo de crescer porque sempre que viajar pelas páginas de um dos maiores escritores brasileiros, voltará a ser criança como se tivesse encontrado pó de pirlimpimpim.
O engenheiro agrônomo Léo Pires Ferreira é um desses meninos grandes, que toma chuva do pó mais mágico que as fadas inventaram toda vez que lê a obra do pai de personagens que correm em suas reinações de um lado para o outro na imaginação dos leitores.
Sempre que fala sobre o ''Sítio do Pica-Pau Amarelo'', como fará hoje, às 9 horas, no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), o agronômo desaparece e como num encanto surge o menino apaixonado pelas aventuras criadas por Lobato.
Na palestra, ''Monteiro Lobato: vida e obra'', ministrada a 130 professores de escolas de Londrina, Cambé, Rolândia e Jataizinho, participantes do programa Folha Cidadania, Ferreira abrirá a porteira do sítio mais famoso do Brasil para que os educadores conheçam um pouco mais dessa terra, onde um porquinho simpático é marquês e um caramujo é doutor. O evento encerra as atividades do programa Folha Cidadania em 2007.
''Observo em minhas palestras que poucos professores lêem Lobato. Quando termino de falar pergunto se o público tem alguma pergunta. Geralmente não há interrogações, o que prova que os educadores não estão lendo.'' Ferreira lamenta o fato de muitos professores não embarcarem nessa aventura, que começou com a publicação de ''Reinações de Narizinho'', formando uma obra de 23 livros que na avaliação dele tem o ineditismo de, em sua época, criar histórias sempre com os mesmos personagens.
Ferreira afirma que os professores podem abrir as portas desse mundo aos seus alunos, dando o exemplo como leitores de Lobato, autor que criou o seu reino do pensar. ''O fazer pensar é o processo de ensino que envolve a descoberta, que Sócrates usava na maiêutica, fazendo perguntas. Quando você procede desse jeito, ensina a pensar. O interlocutor é quem cria a resposta.'' Para o professor, Lobato é o autor das entrelinhas, a cada leitura da obra, o leitor vai descobrindo novas coisas que o escritor quis dizer.
Segundo o professor, a Emília é o alter-ego de Lobato, que dizia que era a boneca que apertava as teclas de sua máquina de escrever. Ferreira acredita que Narizinho e Pedrinho podem ser cada um dos leitores, que se sentam embaixo da jabuticabeira do sítio, vivendo incríveis aventuras.


