Montanhas oferecem roteiro saudável
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segunda-feira, 20 de novembro de 2000
Giovani Ferreira Enviado ao Espírito Santo 
Quem pensa que o turismo no Espírito Santo se resume aos 450 quilômetros de praias e a tradiconal moqueca capixaba, ainda não descobriu as verdadeiras virtudes de um dos mais belos estados do Sudeste brasileiro. A região serrana do Espírito Santo reserva aos turistas um relevo singular, que além do verde exuberante se constitui em uma verdadeira aula sobre a história da colonização do Brasil.
Igrejas, casarões e áreas preservadas em parques estaduais revelam um roteiro turístico ainda pouco divulgado, mas em plena ascensão, sedutor principalmente aos amantes do turismo ecológico e rural. Colonizadas por imigrantes italianos e alemães no início do século XVI, as montanhas capixabas mantêm até hoje as tradições daqueles que chegaram primeiro, seja nas construções de época ou na gastronomia.
O roteiro da serras pode ser contemplado quase que inteiramente através da BR-262. A região montanhosa tem início uns 50 quilômetros distante das praias. O caminho sinuoso parece ter sido projetado de forma que o turista possa, sem mesmo sair da rodovia, vislumbrar grande parte das belezas naturais e arquitetônicas preservadas por uma população de aproximadamente 300 mil habitantes moram nas pequenas, mas aconchegantes cidades incrustradas ao pé ou no alto da montanhas.
Até mesmo a economia regional, baseada na produção de hortifrutigranjeiros, se constitui em uma atração turística. A agricultura familiar, com produtos típicos da região, encantam os visitantes nos cafés colonias, casas de chá e pomares, sem esquecer, é claro, das tradicionais moquecas e tortas capixabas, presentes não somente no litoral, mas nos quatro cantos do estado do Espírito Santo.
Paulo Renato Fonseca, guia turístico, explicou que a região serrana nunca foi tão visitada como nos últimos anos. Disse, que as praias continuam sendo o mais forte atrativo, mas que as montanhas completam e fazem do turismo do estado um roteiro eclético e saudável, seja na areia das praias, no descanso das pousadas ou se aventurando nas montanhas. Atualmente, segundo Fonseca, a taxa de ocupação dos hotéis nas montanhas é maior que a dos hotéis nas praias de Vitória.
Na área serrana uma das regiões mais procuradas é a do Parque Estadual da Pedra Azul, nome que faz referência a uma formação rochosa de características únicas, com quase 2 mil metros de altitude. Rodeada por hotéis e pousadas e cachoeiras, a Pedra Azul fica dentro do município de Domingos Martins, que abriga ainda uma reserva ecológica rica em fauna e flora.
A altitude média nas serra é de 800 metros acima do nível do mar. O clima tropical permite temperaturas que variam de 26º no verão e 5º no inverno. Na Serra da Matinheira, uma das mais conhecidas, os picos mais altos chegam a medir até 2 mil metros de altura.
De acordo com Paulo Fonseca, o potencial histórico do Estado, que preserva construções com mais de 450 anos, é o retrato vivo da colonização capixaba e também da devoção religiosa de sua gente. Uma das obras arquitetônicas mais visitadas é o Convento da Penha, em Vila Velha (Grande Vitória), construído em 1535 pelo jesuítas. O convento está localizado em uma montanha e pode ser avistado de várias regiões da Região Metropolitana de Vitória. É como se fosse o Cristo Redentor do Rio de Janeiro.


