Grande presente aos amantes de Jazz. A Warner lançou no Brasil, em um mesmo pacote, três DVD dedicados a esse gênero musical. ''Por Volta da Meia-Noite'', de Bertrand Tavernier, ''Bird'', de Clint Eastwood, e o documentário ''A Vida e a Música de Thelonius Monk'', da cineasta Charlotte Zwerin (diretora de ''Gimme Shelter'', sobre os Rolling Stones).
Os dois primeiros, dedicados ao pianista Bud Powell e aos saxofonistas Lester Young e Charlie Parker, já estavam disponíveis em VHS no mercado. A grande surpresa é o documentário de 1988, ''Thelonius Monk: Straight, No Chaser'', que chega pela primeira vez aos fãs brasileiros.
Produzido por Eastwood, o filme foi montado a partir da recuperação de imagens rodadas em 1968 pelos cinegrafistas Michael e Christian Blackwood. Mostra imagens caseiras de Monk, junto a sua eterna companheira, a mãe Nellie, além de ensaios e gravações de standards como ''Round Midnight'', uma das composições de jazz mais regravadas da história.
Monk se mostrava um enigma para aqueles que o acompanhavam. Alguns músicos dizem no documentário que nunca sabiam em que ele pensava, muito menos o que ele queria. Há trechos de raras entrevistas, como uma em que o pianista diz gostar de todos os estilos musicais. ''Então o senhor gosta de música country, sr. Monk?'', indaga o repórter. Monk discretamente comenta com um amigo ao lado: ''Será que ele não ouve?''. Em outra cena, Thelonius afirma que não gostou de ser observado por Count Basie durante a gravação de um programa de TV: ''Ele me olhou o tempo todo'', revelando parte de sua inquietude.
Apesar do formato em DVD, não há muitos extras nesse lançamento. Há o trailer original para o cinema, a ficha técnica e o tradicional sistema de capítulos. O que vale mesmo é a música. Há fotos de Monk acompanhado de outro músico lendário, o saxofonista John Coltrane, e trechos do ensaio e da apresentação em um Festival de Jazz em Montreaux.
Com aproximadamente 88 minutos, o filme não traz um retrato definitivo do músico falecido em 1982, mas permite um prazeroso acesso a seu dia-a-dia, permeado por ensaios, jam sessions, viagens, caminhadas pela rua, e muitos... muitos momentos de silêncio.
Lançamento: Warner. Duração: 88 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
[Retr-Foto:CD6 Y 28 {Grade:Cultura ;Pessoa:Filme ''Caminho Sem Volta'', ;Evento: ;Lugar: ;Chave:Coluna lançamento de DVD ;Data:28.09.01 }]
Reprodução
James Caan e Joaquin Phoenix: retrato do sistema capitalista americano,
Caminho Sem Volta
Uma das obras mais injustiçadas em Cannes no ano passado, ''Caminho Sem Volta'' chega simultaneamente em vídeo e DVD. ''The Yards'', o título original, mostra a trajetória do jovem Mark Wahlberg (Boogie Nights), preso após assaltos a carros e que pretende agora reingressar no mercado de trabalho. Sobrinho de um magnata inescrupuloso - o impecável James Caan, Wahlberg acaba se rendendo aos atrativos do ilícito e se junta a Joaquin Phoenix. Eles trabalham em uma empresa que fornece assistência ao metrô de Nova York, mas que, invariavelmente, vence os contratos de licitação. Em outras palavras, eles alteram a estrutura do metrô e depois são contratados para consertá-la.
Dirigido por James Gray (o mesmo de ''Fuga para Odessa''), um dos expoentes da nova geração de cineastas americanos, ''The Yards'' segue a tradição de grandes filmes sobre gângsters, como ''Scarface'', de Howard Hawks e a série ''The Godfather'', de Fracis Ford Coppola.
É um filme sóbrio, que mergulha na mente de um jovem ingênuo que se permite a excessos de imoralidade. Gray vai ainda mais longe. Acaba realizando um retrato do sistema capitalista americano, em que a virtude do sucesso financeiro induz as pessoas a acreditarem que os fins justificam os meios.
Lançamento: Imagem Duração: 115 minutos.
[Retr-Foto:CD6 Z 28 {Grade:Cultura ;Pessoa:Filme ''Dançando no Escuro'', ;Evento: ;Lugar: ;Chave:Coluna lançamento de DVD ;Data:28.09.01 }]
Reprodução
Bjork e Catherine Deneuve: filme desperta emoções inusitadas no público
Dançando no Escuro Um dos filmes mais polêmicos do ano passado, que acabou sendo agraciado com a Palma de Ouro em Cannes, chega agora em DVD. ''Dancing in the Dark'', do dinamarquês Lars Von Trier (''Europa'', ''Os Idiotas''), tem o inegável mérito de despertar comentários os mais diversos nos espectadores e na crítica especializada.
Construído nos moldes do musical clássico, com história entremeada de canções interpretadas pela islandesa Bjork (palma de ouro de melhor atriz), o filme acaba invertendo regras básicas do gênero, tornando o que geralmente é uma história de fantasia em um drama intenso, geralmente apresentado como tragédia.
Essa subversão ao musical, retirando a fantasia e imprimindo a realidade, acaba provocando uma emoção inusitada no público. A história da operária que aos poucos vai perdendo a visão e tenta ajudar o filho a não ter o mesmo fim prende a platéia pelo seu conteúdo dramático; mas os números musicais, que permitem escapadas ao ilusório, não são bem contruídos como nos grandes clássicos do gênero.
A famosa cena em que Von Trier diz ter utilizado cem câmeras se aproxima mais da linguagem dos videoclipes tradicionais, perdendo e muito para a exuberância visual que musicais clássicos costumam ostentar. A previsibilidade do roteiro de Trier e a fotografia chapada de Robby Muller também não atribuem a ''Dançando no Escuro'' o que muitos críticos quiseram ver em Cannes, um filme ''farol'' do cinema do século XXI, em que o digital substitui a película e a fantasia necessariamente se enraíza na realidade. No final, o que Trier conseguiu foi subverter o gênero, concretizando um experimento regular; mas, em nenhum momento, ele revolucionou o que se entende por linguagem cinematográfica.
Lançamento: Imagem. Duração: 140 minutos.

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