São Paulo, 01 (AE) - A cantora Mônica Salmaso foi a grande vencedora do 2º Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal. Foi eleita a melhor voz do concurso tanto pelo júri formal quanto pelo voto da platéia. A final foi realizada na noite de segunda-feira, na Sala Esther Mesquita, do Teatro Cultura Artística, em São Paulo. Televisionada, foi transmitida ao vivo para São Paulo pelo Canal 21. Os jurados escolheram para o segundo lugar o cantor baiano Tito Bahiense. Cris Delanno ficou em terceiro, Bárbara Mendes, em quarto, e Tahta, em quinto. Todos cantaram acompanhados pela Orquestra Jazz Sinfônica.
Mônica recebeu, pela indicação do júri, o prêmio de R$ 40 mil mais o direito de fazer um CD pela Gravadora Eldorado. O prêmio do público veleu-lhe um automóvel Gol. Entre os votantes, estavam na platéia a cantora Ivete Sangalo (em cuja banda o segundo colocado, Tito Bahiense, faz voz de apoio) e os compositores Paulinho da Viola e Edu Lobo. Os dois moram no Rio de Janeiro e vieram a São Paulo para assistir ao Prêmio Visa. "É um grande acontecimento", disse Edu Lobo. "Fundamental que ocorra um concurso assim", disse Paulinho.
O Prêmio Visa de MPB foi realizado pela primeira vez no ano passado. Contemplou instrumentistas, como a edição deste ano premiou cantores. A próxima edição vai dar vez a jovens compositores. O prêmio foi criado e é produzido pela Rádio Eldorado, e patrocinado pelos cartões Visa. A Edição Vocal constituiu-se na maior premiação da música popular brasileira. Distribuiu, ao todo, R$ 63 mil. A vencedora ganhou R$ 40 mil; o segundo colocado, R$ 10 mil; a terceira classificada, R$ 6 mil; a quarta, R$ 5 mil; e a quinta classificada, R$ 2 mil.
Eles foram selecionados entre os quase 1.300 candidatos que se inscreveram - jovens talentos de todo o Brasil e do exterior (Bárbara Mendes mora em Nova York). Uma equipe chefiada pelo maestro Nelson Ayres (presidente do júri durante todo o concurso) fez a pré-seleção e escolheu os 24 semifinalistas, que começaram a apresentar-se no dia 1º de março. Desses 24 saíram os 12 semifinalistas e daí os 5 finalistas que cantaram na segunda-feira.
O regulamento do Prêmio Visa fazia poucas restrições: exigia que o candidato fosse brasileiro ou estrangeiro residente no Brasil há pelo menos dez anos, tivesse até 29 anos e se apresentasse cantando música brasileira, de qualquer época ou gênero. Os candidatos foram orientados a mudar o repertório a cada etapa e a ter a metade dele de músicas conhecidas, para dar aos jurados parâmetros comparativos.
Tom Jobim, Chico Buarque, Edu Lobo, Gonzaguinha e Djavan foram alguns dos compositores mais presentes no repertório dos candidatos. O presidente do júri, Nelson Ayres, observou, em público, numa das eliminatórias, que existem, na música brasileira, realidades paralelas - de um lado, a música de má qualidade que ocupa quase todos os espaços da programação das rádios e televisões e faz vender toneladas de discos; de outro lado, a música de boa qualidade, que tem dificuldades cada vez maiores de aparecer para o grande público. A edição vocal do Prêmio Visa mostrou que os novos intérpretes estão atentos à essa produção de boa qualidade, que a procuram, embora ela não esteja tão disponível quanto seria de desejar. A próxima edição mostrará, certamente, que existem jovens autores fazendo música tão boa quanto.
A dupla premiação de Mônica Salmaso foi vitória da elegância, da sobriedade, da técnica aliada ao sentimento. Ela é uma cantora que vem, há algum tempo, impressionando o público atento à boa música, que se ouve em teatros e casas noturnas. Tem um disco-solo, "Trampolim", gravado pelo selo alternativo Pau Brasil - um dos bons discos lançados em 1998; tem outro, em duo com o violonista Paulo Bellinati, no qual regravou os Afro-Sambas de Baden Powell e Vinícius de Morais. Participou de songbooks e foi indicada, pelo Afro-Sambas, para o Prêmio Sharp de música de 1997; Edu Lobo ouviu-a na remontagem do "Grande Circo Místico" (balé dele e de Chico Buarque), com a Jazz Sinfônica, e ficou muito impressionado: "É a voz mais bonita que ouvi nos últimos tempos", disse, na ocasião, há dois anos. A vitória no Prêmio Visa - Edição Vocal coroa a ascensão da grande artista.
Méritos para os outros, também. Tito Bahiense é desses cantores prontos para chegar ao sucesso. É jovem, desenvolto, expressivo, original. Suas releituras muito criativas de clássicos da MPB são surpreendemente ousadas. Cris Delanno, que nasceu nos Estados Unidos, veio para o Brasil aos 6 meses de idade, é professora de técnica vocal e é uma grande profissional da voz. Tem trânsito no melhores círculos da boa música - a boa música, como se sabe, é, hoje, alternativa. Gravou no disco comemorativo dos 50 anos de Aldir Blanc e dele ganhou uma música
uma parceria com Roberto Menescal. Bárbara Mendes nasceu em Minas e mora em Nova York; vive de cantar música brasileira, em português. Tahta é outra mineira e também frequenta os melhores círculos. Eles são a elite e o Prêmio Visa faz a reverência.

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