A notícia não poderia ser melhor: além de vir a Londrina pela primeira vez, Mônica Salmaso ainda vai estrear um show inédito, que inclui novas canções ao seu repertório. Tudo por conta das possibilidades geradas com o seu encontro com Teco Cardoso (sopros) e Nelson Ayres (piano). Mônica conta que a ideia inicial era fazer uma releitura do show ''Noites de gala, samba na rua'', composto por canções de Chico Buarque. Mas, com essa formação, o trio foi sentindo vontade de incluir novas músicas no repertório. ''O Nelson e o Teco têm o improviso do jazz e conhecimento de música erudita, então acabamos fazendo essa mistura, que tem muito a ver com o encontro de nós três'', enfatiza a cantora.
No show, que acontece hoje às 20h30 no Teatro Ouro Verde, haverá quatro canções do Noites de gala..., mas também Tom Jobim, Ari Barroso, J. Cascata e até Villa-Lobos. O evento faz parte do projeto Vectra ConstruSom, da Vectra Construtora, que já trouxe à cidade outros grandes nomes, como Ná Ozzetti, Geraldo Azevedo e Sururu na Roda.
Em Mônica Salmaso, a música é mais do que uma profissão, mais até que um projeto de vida, como ela mesma gosta de definir. Ser cantora parece mais uma característica física, como a cor dos olhos ou da pele. Talvez por isso sua carreira siga o ritmo de seu próprio desenvolvimento pessoal, sem qualquer preocupação com cifras que não sejam musicais. ''Nunca tive uma exposição comercial explosiva. Meu jeito de desenvolver a carreira é outro. Gosto de criar um público mais lentamente, mas que se indentifica com o disco todo. Tanto é que não tenho música de trabalho'', comenta.
Isso se dá desde a sua primeira gravação em CD, ''Canções de Ninar'', de Sandra Peres e Paulo Tatit (semente da série Palavra Cantada), em 1994. Depois, a cantora gravou os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes com o violonista Paulo Bellinati e, em 1998, lançou seu primeiro disco solo, Trampolim. Em 1999, viria Voadeira, que lhe renderia o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (Apca) e o Visa de MPB.
Mesmo ganhando projeção internacional com o lançamento desses dois CDs solo em vários países, a cantora continuou seguindo seu próprio ritmo, e o disco solo seguinte, Iaiá, só chegaria em 2004 - embora ela continuasse participando de dezenas de outros trabalhos (como na Orquestra Popular de Câmara, com a qual gravou dois discos). Ela gravou ainda Nem 1 aí, no intervalo entre o CD e o DVD em que homenageiam Chico Buarque.
Noites de gala..., além do reconhecimento crescente do público, rendeu também boas histórias. O homenageado não só ouviu e aprovou o trabalho, como também a convidou para participar do show Carioca (disco no qual ambos cantam juntos ''Imagina'', do Tom Jobim). Era o último show de Chico no Rio de Janeiro, e na véspera da estreia da cantora em São Paulo. ''Parecia que ele estava passando o bastão'', conta.
Posteriormente, seria a vez de Chico, de forma indireta, homenagear a cantora. ''Isso o Chico não me disse, eu li em uma entrevista em que ele falava de seu novo livro, Leite Derramado. Ele dizia que resolveu escrever sobre o personagem principal depois que ouviu nossa gravação do Velho Francisco. Então eu devolvi pra ele uma música dele! Imagina como eu me senti naquela hora'', revela Mônica, sem esconder a emoção.

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