A baixa audiência de ‘‘A Padroeira’’, que vem mantendo uma média de 23 pontos no Ibope, provocou uma reviravolta na trama. Por esta razão, o autor Walcyr Carrasco acabou banindo alguns personagens da novela das seis. O mais atingido foi o núcleo da hospedaria, formado por atores como Jackson Antunes, Maria Ribeiro, Denise Wilfont, Roney Vilella e Raquel Nunes. Em contra-partida, o autor criou novos personagens para história. Entre os convocados às pressas estão Susana Vieira, Rodrigo Faro, Cecília Dassi e Taumaturgo Ferreira. ‘‘Em todas minhas novelas, são criados novos personagens ao longo da história’’, tenta justificar Walcyr Carrasco.
Ao mesmo tempo em que o autor sofre pressões pela baixa audiência de ‘‘A Padroeira’’ – a antecessora ‘‘Estrela Guia’’, por exemplo, manteve uma média de 35 pontos –, Walcyr teve uma outra perda irreparável: a do diretor Walter Avancini, afastado por motivos de saúde. No lugar, entrou Roberto Talma. ‘‘Estou muito abalado emocionalmente com a saída do Avancini’’, admite o autor.
A entrada de novos personagens é uma forma de alavancar a audiência da novela?
Quem conhece meu trabalho sabe que sempre introduzi novos personagens nas minhas tramas. Para falar a verdade, não entendo todo este barulho que estão criando pelo fato de ter criado novos papéis na história. Em ‘‘Xica da Silva’’, ainda na Manchete, eu também adotei esta estratégia. Como também em ‘‘O Cravo e A Rosa’’. Todas mudanças servem para dar um novo fôlego na trama. E o fato da novela não estar dando altos índices no Ibope é por causa da crise energética que assola o país. O racionamento de energia fez o número de aparelhos ligados cair muito. Em ‘‘O Cravo e A Rosa’’, por exemplo, tínhamos 70% dos televisores ligados. Agora, segundo a Globo, há apenas 50%. Acho que esta é a maior razão para a queda. Mas também estamos numa fase de avaliações.
A idéia de criar novos personagens partiu de quem?
Foi tomada em conjunto. Já havia dito para o Roberto Talma que pretendia promover algumas mudanças. Tanto que quando contei isso para o Talma, ele me disse que tinha uma atriz certa para viver um dos papéis, que é a Susana Vieira. Ela vai entrar na história como Dorotéia, uma personagem grandiosa, que ao mesmo tempo vai ter uma veia cômica e outra dramática.
O que muda na concepção da novela com a saída do diretor Walter Avancini?
Em primeiro lugar, a saída do Avancini me abalou muito emocionalmente. O lado profissional, nesta hora, fica em segundo plano. O Avancini é muito importante na minha vida afetiva. Foi ele quem me projetou na Globo, onde vínhamos da parceria bem-sucedida em ‘‘O Cravo e a Rosa’’. Esperávamos repetir este sucesso agora. Principalmente porque a capacidade profissional do Avancini é indiscutível. Só que é muito difícil prever o que vai mudar na novela neste momento. Estou muito abalado.
O fato de o diretor Roberto Talma estar há mais de quatro anos sem dirigir novela pode comprometer o ritmo da trama?
O Roberto Talma é um profissional muito talentoso e experiente. Ele também tem uma grande capacidade intelectual. Inclusive, foi amigo e conviveu de perto com muitos mitos como o maestro Tom Jobim. Por causa de todo isso, acredito que ele traga coisas boas para novela, embora nunca havíamos trabalhado juntos. Só que, na primeira conversa que tive com ele, fiquei impressionado com sua capacidade de criação.
Muitos críticos acham que os protagonistas Luigi Baricelli e Maurício Mattar podem comprometer toda história. O que você está achando da atuação deles?
Gosto muito do trabalho deles. Só que como o Avancini estava doente desde o início da novela, ele não pôde fazer um acompanhamento tão minucioso com os atores, como aconteceu em ‘‘O Cravo e A Rosa’’. Por isso, os atores ficaram sem aquela ‘‘mão de ferro’’ conhecida do Avancini. Já com a entrada do Roberto Talma, os atores vão ter novamente um acompanhamento mais de perto.

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