MOLHO Maria de Los Angeles
Cozinhas saudosistas exigem fogão a lenha. Mesmo que seja só como enfeite. Mas eis que, um belo dia, acaba o gás e somos obrigados a cozinhar no enfeite. É domingo. Queremos tomar café e acendemos o fogo. Temos tempo suficiente para conseguir um pouco de madeira no quintal. De repente nos damos conta que coisas rotineiras - o trabalho, o banho, cozinhar - podem ter outro sabor, inusitado. Outros sons, cheiros, o crepitar da lenha que por fim toma alento. Por um momento nos perdemos em devaneios e elucubrações olhando as chamas. Finalmente conseguimos fritar toscamente um ovo e torrar na mesma frigideira fatias de pão. O café sai, de aroma inigualável. Matamos a fome. E com ela alimentamos também a fome pelo simples, pelo improvisado, pelo que exige espera. Num domingo, com um pouco mais de tempo...





