MOLHO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de julho de 2001
Maria de Los Angeles 
Que são em sua maioria desnecessários numa cozinha...Não que eu queira falar mal dos eletrodosmésticos, mas não há dias em que dá vontade de jogar todos no lixo? Sim, facilitam a vida em alguns momentos, economizamos muque para bater bolos, natas, maioneses ou amassar pão. Sem querer, acabamos entulhando a cozinha tantas lembrancas como o duendinho de louça com um bolo de merengue na mão que a prima trouxe da Inglaterra, o pinguin da geladeira, como prescindir deles? A máquina de lavar louça é essencial enquanto dure se bem que gasta energia elétrica o que não é politicamente correto em tempos de cataclisma energético.
Bem, dentro dessa nova visão apocalíptica sem dúvida teremos que arregaçar as mangas e rachar lenha o que, pela necessidade, vai nos tornar musculosos e saradíssimos. A minha cozinha medieval, projetada para não precisar de quase nada, é a que considero a ideal. Faria qualquer pessoa de séculos passados sentir-se à vontade pela praticidade, sem atravancamentos, porém com alguns objetos que são eternamentes humanizantes nesse espaço onde se exerce a magia do cozinhar.
Utensílios que considero básicos:
1 saleiro
1 armarinho só para temperos
1 quadro na parede (a gosto do freguês)
1 vaso com planta, se possível comestível (manjericão, salsinha, cebolinha, por exemplo)
1 gato em seu devido e aconhegante cantinho
1 ramo de louro ou réstias de cebolas e alhos (de plástico não, por favor)
Água potável
Hashi (talheres japoneses) e 2 cumbuquinhas
2 caçarolas, 1 frigideira, 1 caldeirão, 1 assadeira
1 chaleira e coador para café
1 vidro de pimenta colorida
Lugar para sentar e comer
O mínimo possível de louças e talheres
Panos de cozinha ou toalha de papel
Sabão
Um moedor de pimenta que funcione bem
Um pilão de pedra, difícil ainda de achar, concordo, mas que transforma qualquer semente ou raiz em pó.
Música indiana ou mensageiros do vento em lugar estratégico
Colheres de pau
E para terminar, um moderno, tilintante e imprescindível telefone, claro.Para quê? Ora, para quem estiver cozinhando nunca se sentir sozinho, apesar do gato por perto...


