MOLHO
Entre muitas outras coisas, cocos. Feitos de todas as maneiras possíveis e imagináveis, como remédio, verde ou maduro, comida de Oxalá e de todos nós, pobres mortais, que tanto nos beneficiamos com essa imensa noz. Atá a casca é aproveitável para o artesanato. Não é fantástico tomar água de coco verde, que cura até dor de cotovelo? E aquela carninha branca raspável que é um bálsamo para o estômago além de alimentar. Quando seca, a carninha transforma-se em algo muito mais concentrado, a polpa que vale ouro para a culinária, principalmente, mesmo tendo outros usos. Deus deve ser mesmo brasileiro, e do Norte, para inventar essa benção que é o coqueiro e seus frutos.
Aprendi a fazer comidas incríveis com coco, salgadas e doces, porém existe um doce que é imbatível e que deveria ser patenteado made in Brazil. Quem discordaria que a cocada, branca ou preta, de cortar ou puxa-puxa, não é o melhor doce que se pode comer de Norte a Sul? Já sei, vão dizer que engorda! Mas garanto que seu óleo é benigno e que, rico em fibras, vai manter o metabolismo em dia.
A melhor cocada que sei fazer, a do meu caderninho secreto, é a preta por ser, dentro do meu estilo de cozinha, a mais natural, feita com açúcar mascavo. Descobri que no candomblé ela é oferecida aos Erês, que são os elementais crianças, e fiquei muito feliz porque sempre que faço doces é para os Erês que, no fundo, todos somos.
Cocada preta dos Erês
(12 a 15 porções)
1 quilo de açúcar mascavo
3 paus de canela
2 cravos da Índia
1 litro de água
2 cocos grandes ralados bem grosso (não precisa tirar a película marrom).
Leve ao fogo o açúcar mascavo e a água, com a canela e o cravo.
Deixe ferver por 15 minutos, retirando com a escumadeira a espuma que se forma , e por último, pesque a canela e o cravo. Acrescente o coco ralado, mexa bem até que a cocada esteja bem ligada. Retire a cocada do fogo e coloque em compoteira. Se quiser ter um pouco mais de trabalho, mas vale a pena, deixe apurar um pouco mais, unte um tabuleiro com um pouco de óleo ou manteiga, enrole as cocadas com uma colher antes que endureça e seque ao sol. O Tio Sam vai querer conhecer tambem nossa cocada, além da batucada.





