Segundo os povos orientais, o verão é a estação da inércia, da preguiça, de usufruir na sombra os frutos batalhados no inverno. Isso explica e justifica, sem tanta culpa, a preguiça, o querer estirar-se ao sol como camaleões, sempre com água por perto e uma brisa fresca para que possamos suportar o calor dos trópicos no lado de cá do Equador. Mesmo assim, nossa jovem e misturada cultura ainda não desenvolveu uma culinária específica para tão elevadas temperaturas como, por exemplo, a dos povos árabes, dos nômades que tiveram que se adaptar no espaço de um simples dia a temperaturas extremas, como no deserto. Deitemos um olhar sobre essa magnífica culinária milenar de sobrevivência, onde a fome acabou forjando pratos sofisticados e um ritual das mil e uma noites. Carneiro, lentilha, kasha (sêmola de trigo que substitui o arroz), tabule, massas finas e crocantes (sim eles inventaram a pizza) temperos que conservam a comida (sem nitritos), frutas secas, mel. Aliás, o mel era (e é) a ‘‘geladeira’’ dos beduínos, que conservam a carne imersa nele por meses. Tenho uma imensa fome, gravada geneticamente, por essa comida leve, saudável nutritiva e sábia que os povos da ‘‘Meia-Lua’’ desenvolveram e que serve tão bem à fome inconsistente do nosso calor insuportável.
RECEITA
Salada Marroquina
(Porção para seis pessoas, ou vários dias, na geladeira ou não, já que se trata de uma conserva)
2 cebolas médias
1 pimentão vermelho grande
1 erva-doce (a planta ) ou salsão
1 cabeça de alho finamente picada
4 beringelas com a casca
1 xícara de chá de vinagre branco
1 xícara de azeite
Sal
Orégano
Pique todos os ingredientes em cubos miúdos, sendo que a beringela deve ser picada e acrescida por último. Tempere e misture tudo. Ajeite em assadeira e leve para o forno em fogo brando até a beringela quase derreter. Quem conhece e tem zaathar pode polvilhar esse tempero maravilhoso, combina bastante com esta salada assada. Sombra, água fresca e pão sírio recheado com saladas. Boa dieta para se adotar neste verão das arábias.

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