Pode-se conhecer a comida ‘‘não sarada’’ quando estamos com muita fome e o prato que nos apresentam não corresponde ao nome pomposo do menu, nem à nossa pomposa fome. Engordurado e requentado temos na nossa frente um marreco recheado que agoniza há vários dias dentro do forno. Eca!! Acontece muito em restaurantes ter comida não ‘‘sarada’’, palavra da gíria moderna que rotula muito bem determinadas coisas e situações. Vi na praia um cartaz que dizia: ‘‘Aqui tem comida sarada’’. Era mesmo.
Já disse aqui que, às vezes, arroz e feijão bem feitos, com farinha e salada, nutricionalmente pode ser uma refeicão completíssima e muito saborosa. Alguns quesitos são fundamentais para fazer uma comida ‘‘sarada’’. Limpeza e frescor do prato (no caso do sashimi, imprescindível), sabor, ingredientes de boa qualidade e a fome. O arroz pode ser integral, para quem souber fazê-lo. Garanto que um pouco de naturalismo sempre te manterá mais ‘‘sarado’’. E que é possível fazer excelente feijoada sem tanta gordura animal. Chá com mel, é mais ‘‘sarado’’ que com açúcar, se é que me faço entender. Ser um cozinheiro ‘‘sarado’’, é criar um prato de altíssima qualidade, tanto no talento quanto na técnica, seguindo regras básicas de higiene, ou seja: tudo lavado com água e sabão, começando por você. Diz um velho ditado espanhol que ‘‘é mais fácil achar uma agulha num palheiro que um prato de comida bem feito, pelo mundo afora.’’ Em viagens então, passo fome, e fico muito agradecida com a vida quando se dá esse encontro maravilhoso: a fome felina (ou canina) com comida gostosa, feita com talento, bons ingredientes e na hora, - ‘‘sarada’’, sim. Como ensina a filosofia hindú, comida requentada, é ‘‘tamásica’’, ou seja não é vital e, no melhor dos casos, vai te dar preguiça, lentidão, obesidade. Um bom exemplo de comida ‘‘sarada’’ é a receita a seguir, que consegue juntar arroz integral e sabor, numa combinação quase impossível de dar errado. Garanto que é maneira saudável, para quem faz dieta, de se manter em forma sem tanto sofrimento, mesmo porque se não forem prazeirosos, seus hábitos alimentares não conseguirão ser ‘‘sarados’’ e, portanto, mantidos .
Risoto Natural
(para 4 pessoas)
4 xícaras de chá de arroz integral cateto pré-cozido na panela de pressão (cereais integrais podem ser já pré-cozidos e duram uma semana na geladeira).
Faça o molho à parte com: 6 tomates descascados e picados, cebola picada fina, 1 folha de louro, 1 colher de chá de páprica doce, sal, 1 colher de sopa rasa de açúcar (que pode ser mascavo), azeite, salsinha e cebolinha, ou picadas ou amarradas em ‘‘bouquet’’, 1 xícara de purê de tomate de caixinha (opcional). Deixe apurar e refogar bem, acrescentando um pouco de água quente de vez em quando, até cozer e desmanchar, formando um caldo grosso. Acrescente lulas em rodelas finas, camarões sem casca, mariscos cultivados e o arroz. Cozinhe até o arroz inchar como pequenos grãos de milho de canja. Se não tiver os frutos do mar, substitua por frango, peixe, bacalhau ou a carne que tiver. Pode também incluir tudo, numa caldeirada ou galinhada, como quiser. Regue com azeite e polvilhe queijo ralado. Sare-se sem medo!

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