MOLHO - Reuniões na cozinha - I
MOLHO
Reuniões na cozinha - I
Como as igrejas, cozinhas também vão formando uma egregora. Ou seja, não adianta planejá-las muito, as coisas e as pessoas acabam chegando, os enfeites, os presentes e tudo acaba se reunindo, acontecendo... Seja qual for a sua, e dependendo do cozinheiro que você é, para reunir pessoas ela vai ser um misto de enfermaria, clube, pub e seu verdadeiro restaurante....Não existe receita para que ela se torne uma cozinha que reúna as pessoas, mas o teste é muito simples. Quando você pensa, ao chegar visitas: Pronto! Já estamos todos na cozinha! Algum cenário pode ajudar. Cadeiras, ou pelo menos uma cadeira confortável, para que nosso interlocutor se refestele enquanto cozinhamos. Comida ou um antipasto. Nossa visita mastiga, ruminam-se muitas coisas, estabelecem-se vínculos e prosas muito interessantes.
Cozinhar compotas, que exigem atenção e espera, fará com que você desenvolva atividades paralelas: dançar, ler, bordar... tudo dentro dela. Aliás, ouvir música na cozinha, faz as tarefas mais entediantes se tornarem um prazer, e a comida, sem dúvida também vai sair melhor. Se você insiste em transformar sua cozinha num espaço de reunião existem alguns outros recursos escassos, mas infalíveis: iluminação agradável e límpida, algum quadro em que se possa deitar os olhos com prazer....Um gato no beiral da janela. E se depois ler esta crônica, você ficar mesmo empenhado em humanizar sua cozinha, assista a um filme de Jacques Tati que se chama Meu Tio (My Uncle), em que genialmente ele faz uma cômica e nostálgica comparação entre as modernas cozinhas francesas, assépticas e frias como laboratórios, e as antigas, não tão reluzentes e sem tantos botões para apertar, porém com o ingrediente principal: calor humano.
Maria de Los Angeles- [email protected].





