MOLHO - Quindim
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de março de 2004
Maria de Los Angeles Especial para Folha 2 
Apesar das histórias do Seo Joaquim (personagem da minha infância) estarem dando um certo ''ibope'', tenho que me despedir dos meus ''pastores da noite'', mesmo porque eles estão ultrapassados. Estes tempos modernos estão limitados a uma telinha e formatados como ''reality show''. Mas, correndo o risco de ser taxada de saudosista ainda prefiro os antigos, que estavam longe dessa banalidade caótica que se vê num aparelho ligado a um fio elétrico. Para me despedir, escolhi a receita do quindim da cachopa (moça em português) do Seo Joaquim, a Dona Manuela. Na verdade, a receita é da Dona Perpétua, outra senhora portuguesa que tive a honra de conhecer de passagem, era muito idosa e logo morreu. Mas suas descendentes aprenderam a fazer, e, tenho que admitir, é um doce tão cheio de sutilezas e não-me-toques, que só a L. que é nora da saudosa Dona Perpétua sabe fazer tão bem quanto a Dona Manuela. Ufa! Aí vai a preciosa receita:
Quindins
15 gemas/ meio quilo de açúcar/ 2 colheres de manteiga derretida/ 1 coco de tamanho médio, ralado, de preferência fresco.
Modo de fazer: No açúcar já pesado em balança, colocar as gemas cruas e mexa bem com colher de pau. Acrescente a manteiga e mexa de novo. Acrescente o coco, mexa mais. Agora as opções são duas: ou se faz um grande quindão numa assadeira redonda, ou vários quindinzinhos em forminhas. Seja qual for a escolha, unte muito bem as formas com manteiga e açúcar cristal. Asse lentamente em banho-maria e tampado com papel alumínio, por uma hora mais ou menos. Se quiser desenformar, espere esfriar um pouco. Mas, muito cuidado! Se for colocado na geladeira, diz a receita ancestral, que estraga. Então guarde tampado em lugar fresco. Não se preocupe com as formigas, se você acertar a receita, quindim ou quindão duram bem pouco.
Maria de Los Angeles é chef de cozinha do restaurante Paella Como te Gusta e colaboradora da Folha.


