MOLHO - Preparando ovos - 2
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 2003
Maria de Los Angeles<br> Especial para Folha 2 
E assim, poderia ficar dias sem esgotar o assunto, falando sobre os ovos e as maneiras que nós, seres humanos, inventamos para utilizá-los. Assunto redondo este. Fora as outras mil e uma utilidades que esse alimento tem. A partir do maravilhoso ''design'' em que vem embalado, e que só a grande arquiteta natureza poderia ter criado, e terminando na minha memória pessoal: Vejo o japonês da quitanda da esquina (as quitandas hoje são os ''sacolões'') fabricando seus próprios saquinhos de embalagens feitos com revistas velhas, a cola era uma clara de ovo que ele passava com um pincel. Voltando à culinária, o ovo mais estranho para comer que já vi, foi a receita da minha amiga chinesa Cá, que é enterrado - ou coisa que o valha - e vários dias depois, quando ele fica azul, é comido. Cada povo tem suas receitas folclóricas com ovos. Gosto muito de ovos com tomates. Minha mãe fazia um tipo de pêsto com molho de tomate e ovos batidos que ficava muito bom. Tão simples que não tem nem receita: faça um molho espesso de tomates, bata ovos, misture com o molho fervente, polvilhe queijo. Coma.
Prefiro dar uma receita mais sofisticada, com ingredientes que combinam de maneira maravilhosa entre si:
Ovos à Sherazade
(para 6 pessoas)
10 ovos bem cozidos e descascados. Faça assim: coque-os numa panela cobertos com água fria e gotas de vinagre. Ferva de 4 a 5 minutos. Espere esfriar um pouco para cortá-los em rodelas, dispondo-os numa assadeira untada com azeite ou manteiga. Polvilhe sobre eles os seguintes temperos: 1 colher de sopa de curry de boa procedência (os indianos são os melhores); cheiro-verde picadinho; sal e pimenta fresca, uma boa pitada; gotas de molho de soja;
maionese o quanto baste por cima (espalhe com uma espátula); 4 xícaras de chá de molho branco, grosso; queijo parmesão ralado (opcional).
Leve ao forno médio até borbulhar. Sirva imediatamente com arroz.
É uma pena que somos tantos para alimentar e que as granjas não-orgânicas, literalmente ''fábricas'' de ovos, proliferaram para matar a fome dos povos. Mas, admito, é um mal necessário, contingência do mundo moderno. Então, vamos comer ovos pasteurizados, cheios de colesterol, hormônios, etc. Mas, se serve de consolo, lembre-se que, pelo menos, ele ainda vem da galinha (que estaria extinta sem as granjas) e, fecundados ou não, sendo recém-postos, frescos, um alimento delicioso, para raposa alguma (também uma espécie em extinção) por defeito.
Maria de Los Angeles é chef de cozinha do restaurante Paella Como Te Gusta e colaboradora da Folha.


