MOLHO - Maria de Los Angeles
MOLHO
Maria de Los Angeles
De Londrina
COMIDA SALTITANTE
Se você acha que é uma pessoa eclética, não seja só da boca para fora: seja para dentro também. Gente preconceituosa no comer se furta de experimentar coisas que podem ser deliciosas, saudáveis, sofisticadas. Por exemplo: rãs. Garanto que além de serem muito gostosas aumentam comprovadamente as defesas do organismo e, segundo Sonia Hirsch (em seu livro Deixe Sair), são especialmente indicadas como remédio para pessoas com problemas gastrointestinais. Antes que mais uma vez você faça cara de nojo e diga eca! é preciso esclarecer alguns pontos. Você não precisa ir caçar rãs no brejo para tê-las em seu prato. Hoje em dia elas são criadas para consumo humano com alta tecnologia e completa assepsia. Infelizmente, o brasileiro não as aprecia e não sabe prepará-las. Em vários países do continente europeu, os maiores gourmets sempre as incluem em alguma receita, dando um toque exótico que encarece bastante o prato. Bem, não temos trufas e o acesso a outras iguarias raras é difícil. Mas temos rãs. De vez em quando é possível encontrá-las, sobre montes de gelo, no balcão de peixes do supermercado. Minha curiosidade culinária me levou a comprar e preparar algumas. Sua carne delicada tem sabor de peixe e ave ao mesmo tempo. Ossos delicados como de codorna ou perdiz. Temperei apenas com sal, limão, alho e refoguei até dourar, em azeite. Muito bom. À milanesa, especiais.
E para surprender comensais a quem você quer impressionar, a dica é Rãs à Parisiense (Adaptação de receita de Alice B. Toklas - O livro de Cozinha de Alice B. Toklas). Numa panela em fogo médio, coloque oito ou 10 rãs desmembradas, cobertas com vinho branco seco, sal e pimenta do reino ligeiramente moída, o caldo de 1 limão. Cozinhe por 10 minutos. Retire do fogo e escorra. Em uma tigela, coloque um volume igual ao das rãs, de batatas cozidas, temperadas com sal e pimenta. Misture com 1/2 xícara de maionese, desosse as rãs e acrescente os nacos de carne às batatas com a maionese, misturando tudo. Por cima, polvilhe com cheiro verde finamente picado.
O risco que se corre do convidado achar que o seu prato, e portanto você, lembra e muito a família Adams é grande. Mas quem não arrisca não petisca. Também é possível que os comensais fiquem agradavelmente surpresos com tal experiência gastronômica e como você passem a desfrutar, sem preconceitos, dessa saltitante inovação gustativa.
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