Molho - Maria de Los Angeles
MOLHO - Maria de Los Angeles
Arquivo Folha
Louças loucas
Mas logo à mesa voltavam, / que a fome bem pouco espera / E seus olhos descansavam / em porcelana da China (Carlos Pena Filho em Memórias do Boi Serapião)
A cozinha simplesmente não existiria sem a louça. Seja ela de porcelana Limogés, seja de Monte Sião, seja dos bazares de um e noventa e nove. E todas quebram, e pior, têm que ser lavadas. Loucas, desencadeiam crises familiares sérias. Quebrá-las, à la grega, num ataque de fúria, garanto que é extremamente terapêutico, evita dores de cabeça e ataques do coração. Não escolha o que vai quebrar, senão a terapia não vale.
Portanto, rodeie-se de louça prática, barata, alegre, que vá ao microondas e na primeira lascadinha, para o lixo. Louça lascada dá azar. Acumulada aos montes sem lavar, na pia, desestrutura a família e parece que a casa toda está imunda. Neste caso, lembre-se de Caetano Veloso que disse que lhe faz muito bem transmutar pratos sujos em limpos. Como são admiráveis e evoluídos os homens que têm humildade para lavar os pratos!
Mas, para quem detesta lavar louça e adora cozinhar, existem as máquinas. Só que um dia você vai descobrir que seria ótimo ter um robô que colocasse tudo dentro da lavadora.
Estrelas principais de uma mesa bem arrumada, às vezes o visual tão lindo compensa a trabalheira que elas dão. Como os pintores com sua palheta, para um cozinheiro elas sempre serão a moldura de sua arte. Louças podem ser loucas, comuns, de qualquer cor e formato, obras de arte. Não importa qual seja a tua. Sempre irão revelar teu status e gosto. Importa que sejam limpas como o ouro, louças....
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