Sinceramente, não é minha intencão ficar, muito piegas, falando sobre ''A arte de fazer bolos''. Não é desses bolos que vou falar. Gostaria de falar do significado de fazer um bolo e da doação de si que isso é. Bolo bem feito, por isso mesmo, sempre será das mães e avós, que destituídas de qualquer tipo de egoísmo vão gastar uma fração do seu tempo para mexer as mãos na cozinha. Os homens também sabem fazer bolos, mas os deles sempre serão diferentes dos das mulheres, por mais que o bolo dê certo. Outra coisa que chama a atencão: o bolo da padaria, gostoso, bem feito, é insípido. Falta o toque, o carinho, a mão e o tempo de alguém que nos ama dispensou para dispor-se a fazê-lo. Outra coisa que não dá muito certo é fazer um bolo só para você. Não faz sentido. Daí o bolo empanzina (não cresce) e acaba embolorando num canto qualquer da cozinha. Fiz muitos bolos ao longo da minha vida, alguns inventados, com pressa, outros seguindo ao pé-da-letra a receita. Os melhores? Os chá-com-bolo-e-manteiga das tardes preguiçosas enquanto meus filhos pequenos dormiam. A cozinha limpa e silenciosa e eu, alquimista curiosa, a fazer misturanças surpreendentes. Anote essa:


Bolo Tarde Qualquer

5 ovos, separadas gemas e claras/ 1 xícara de coco ralado/ 1 xícara de farinha integral/ 1 xícara de mel.
Bata as gemas com o mel, até formar bolhas. Acrescente a farinha, misture devagar. Bata as claras em neve, acrescente à massa, misture sem pressa. Unte bem a assadeira, asse até crescer e dourar. Quando o bolo esfriar, passe uma camada de mel em cima e polvilhe com coco ralado. Embole-se!
Maria de Los Angeles é chef do restaurante Paella Como te Gusta e colaboradora da Folha.

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