Minha amiga Sara, Irlandesa e chocólatra declarada, confirma o que eu já desconfiava: a Europa é um continente irremediavelmente entregue a esse doce vício que é o chocolate. Para ex-fumantes, o que acaba acontecendo é que acabamos substituindo um prazer pelo outro. E até agregando esse prazer a outro e outro, sempre querendo tomar um porre de serotonina, substância contida em quase todas essas coisas tão prazerosas e, portanto, proibidíssimas para alguns. Tive um gato, o famoso Valentin, não sei se já mencionado por aqui, que era chocólatra e ,mais, boêmio inveterado. Dormia dentro do fogão a lenha e acordava, tarde da manhã, de ressaca e coberto de cinzas do forno, numa das cenas mais hilariantes que se pode presenciar com um animal. Como os ‘‘dândis’’ espanhóis (leia-se mauricinhos, hoje em dia), meu gato, que agora reconheço, proustiniano total, despertava-me o impulso, como uma criada, de servir-lhe o chocolate quente ao acordar, que é o costume na Europa. Nunca fiz isso, mas sempre que havia bolo ou outro doce de chocolate, atendendo aos seus miados exigentes, oferecia-lhe um generoso pedaço. Que sem o refinamento dos almofadinhas, ele devorava em alguns bocados.
Gosto de fazer meus próprios chocolates em barra, aos quais acrescento nozes, pecãs torradas, gergelim, frutas secas, raspas de limão, canela e até café. Faça assim:
Barrinhas de Chocolate Expresso
(receita para uma lata cheia)
1 barra de chocolate de 500 gramas, de sua preferência
300 gramas de nozes ou amêndoas descascadas, limpas e torradas
raspas de um limão médio
1 colher de café de canela em pau
1/2 colher de café, ou menos, de pó de cafe (opcional)
Derreta o chocolate em pedaços, ou no microondas, ou em banho-maria. Ainda quente, misture todos os outros ingredientes. Espalhe em tabuleiro untado. Antes que esfrie completamente, faça barrinhas com uma faca no formato que quiser. Aproveite, já que o cacau é nosso.

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