MOLHO
Chocolate I
Convencionou-se chamar chocolate a mistura resultante da amêndoa de cacau queimada com açúcar e canela. Tal é a definição clássica do chocolate: ‘‘Quando o delicioso aroma da baunilha é adicionado ao açúcar, à canela e ao cacau, atinge-se aquele nec plus ultra da perfeição’’, em outras palavras, atinge-se o máximo. (Brillat Savarin - A Fisiologia do Gosto).
Se Sofia Loren é considerada a mulher mais bonita do século, poderíamos considerar, sem exagero, o chocolate, a melhor sobremesa dos últimos 500 anos. A receita acima, explica por que o Velho Mundo era obcecado por especiarias, precisavam da baunilha das Índias para fazer o pó do chocolate, no qual se viciaram. Descobriram infinitas formas de utilizar esse tempero/alimento em bebidas, sorvetes e até no feijão pelos latinos do Norte. Continuando com Brillat Savarin, que foi médico e gourmet, vale destacar a seguinte passagem: ‘‘As damas espanholas do Novo Mundo amam o chocolate com furor, a ponto de, não contentes de tomá-lo várias vezes ao dia, o levam inclusive quando vão à igreja.’’
Conta-se uma história na Espanha e na minha família que ilustra bem como o chocolate começou a fazer parte dos costumes alimentícios e portanto da cultura daquele povo: havia um sujeito que queria porque queria trabalhar no teatro da aldeia. Depois de muita insistência, deram-lhe uma fala. Teria que entrar no palco, com uma baixela para servir a xícara de chocolate e dizer: ‘‘Senhorita, el chocolate.’’ Ensaiou arduamente, por semanas. Finalmente, o dia tão esperado da estréia chegou e ele trêmulo, mas com voz firme, anunciou: ‘‘Senhorate el chocolito.’’ Cai o pano.
Como o assunto é delicioso e longo, continuo na próxima semana.
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