''MOISÉS'' EM RESTAURAÇÃO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de julho de 2001
France Presse 
A restauração de Moisés de Michelangelo, uma das obras-primas do artista que decora o monumento fúnebre do Papa Julio II na Basílica de São Pedro de Roma, entra hoje em sua fase ativa e poderá ser seguida ao vivo pela internet.
Oito meses depois do lançamento do Projeto Moisés, que permitiu retirar uma primeira camada de sujeira, a obra do escultor, pintor, arquiteto e poeta do Renascimento se oferece em detalhes ao olhar público, nunca vista de tão perto.
Uma passarela está erguida na parte inferior da igreja, dominada pelo profeta Moisés, que está rodeado pelas duas esposas de Jacó, Lia e Raquel. Instalada a quatro metros de altura, a passarela separa literalmente o monumento em dois, mas permite contemplar o Papa Julio II, a quem o artista admirava até ao ponto de transformá-lo em um Moisés que não viu a terra prometida porque não pôde unificar a Itália nem reformar a Igreja, segundo Christoph Frommel, diretor da biblioteca Hertziana de Roma e expert em Michelangelo.
Quatro câmeras web permitirão aos internautas acompanhar dia a dia (em www. progettomose.it) os trabalhos de restauração que, sobretudo, tentam devolver ao mármore de Carrara sua percepção cromática. Realizada em torno de 1515 e concebida originalmente para ser colocada no coro da basílica, na qual Michelangelo trabalhou cerca de 40 anos, a estátua foi finalmente apoiada contra uma parede e a abertura circular imaginada pelo escultor, que permitia vê-la em três dimensões, foi obstruída no século 18.
Preferia deixar seu trabalho inacabado antes de arruiná-lo ou desnaturalizá-lo, e frequentemente foi acusado por seus contemporâneos de não querer ensinar o ofício aos outros, segundo Lorenzo Fucinello, encarregado da restauração que custará 235 mil dólares. Michelangelo nunca terminou o mausoléu de Julio II, encomendado em 1513 e situado na nave direita da basílica, o qual recuperará no final do ano seu aspecto normal.


