ReproduçãoOs moinhos são referências na paisagem do Faial. Ao fundo, a montanha do PicoChega-se à Ilha do Faial nas asas da Sata - Air Açores (empresa aérea que faz o transporte dentro do arquipélago). A ilha tem 16 mil habitantes, metade concentrada em Horta, a capital política dos Açores. Ali, a cor branca também predomina no casario. Foi de lá, aliás, que saíram muitas famílias para o Brasil após as erupções de 1673/1674. O aeroporto, inaugurado em 1971, fica a 10 km de Horta. Com pista curta (1.800 m), os aviões maiores são obrigados a fazer uma decolagem quase vertical. ‘‘Sobem como uma bala’’, diz o fotojornalista Eugénio Ferrão Madruga, um angolano que mora na Ilha do Faial há 20 anos.
Embora seja uma ilha, Faial tem apenas quatro praias, todas elas pequenas e de areia escura. ‘‘Praia de cinzas, costumamos dizer’’, comenta Madruga. Assim como Ponta Delgada, Horta é uma base naval desde 1943 e acolhe aviões e embarcações militares por conta de sua localização, estratégica para os interesses da Otan - Organização do Tratado do Atlântico Norte. Durante a Guerra do Golfo, era lá que os aviões americanos paravam para abastecer antes de seguir para o Oriente Médio.

ReproduçãoHorta, a capital política dos Açores, concentra metade da população de 16 mil habitantes do FaialA par de questões bélicas, Horta é ponto de entroncamento de cabos submarinos intercontinentais, implantados desde o começo do século por americanos, britânicos e alemães. Hoje, as colônias construídas para alojar os trabalhadores desses países foram transformadas em hotéis, que oferecem todo o conforto e, uma delas, em centro administrativo da ilha.
Dentes tatuados Em tempo de paz, a marina da ilha ‘‘que abriga 180 barcos’’ recebe navegadores do mundo todo. O Peter Café Sport é uma mostra disso. Além dos diversos idiomas que podem ser ouvidos entre uma mesa e outra, o teto e as paredes do bar ostentam flâmulas e bandeiras de iatistas das mais variadas procedências, a maioria com dedicatórias a Peter, também dono ‘‘da maior coleção particular’’ de scrimshaws (dentes de cachalote tatuados) do mundo.
Pelo visto, não só marinheiros cruzam o oceano nesse pedaço do planeta. As baleias, num constante sobe-e-desce pelo Atlântico, também marcam presença nos Açores. Se até 1987 a caça era permitida (com aproveitamento total do mamífero, até dos dentes), hoje o whale watching é carro-chefe das campanhas de promoção turística do Faial e de sua vizinha, a Ilha do Pico. Caudas de cachalotes, francas, orcas e centenas de golfinhos podem ser vistos o ano inteiro, principalmente a partir de maio.
Os moinhos também são referências na paisagem do Faial, assim como o gado gordo e os vulcões: são 63 e o último a expelir lavas foi o do Capelo, em setembro de 1957, que só foi se recolher às profundezas do sono abissínio 13 meses depois. Nesse meio tempo, o Capelo fez um estrago danado. Soterrou casas e praias, abriu fendas, deixou a população pacata em polvorosa e ainda proporcionou shows por terra, mar e ar. Os moradores contam que a coluna de fumaça, sempre precedida de explosões exuberantes e tremores sonoros, subia a mais de 4 mil metros céu adentro. ‘‘Um espetáculo’’, descrevem, ‘‘mas assustadoramente belo’’.

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