O primeiro Museu Rural – o moinho – foi inaugurado em novembro do ano passado. Fica a 18 quilômetros de Porto União e o acesso é por uma estrada de terra, coberta de cascalho, o que permite a passagem de carros de passeio mesmo em dias de chuva. Construído em 1920, integralmente de madeira – desde o galpão até as engrenagens e a roda d’água que movimentavam as moendas – o moinho está desativado há 12 anos.
Durante 70 anos, ele foi utilizado para o descascamento de arroz e a produção de farinhas de trigo, milho e centeio que alimentavam dezenas de famílias de agricultores da região. A roda d’água, de imbuia, possui 1 metro de diâmetro por 4 metros de altura. Devido à ação da água, esse equipamento é mais recente, foi trocado em 1966.
Além das peças do moinho, o museu expõe ainda as correias que movimentavam as moendas, de couro bovino, e livros de contabilidade em que eram registrados os depósitos e retiradas de produtos dos fregueses. ‘‘O pagamento era feito sempre nas colheitas’’, conta Leovegildo Dalmas, 75 anos, proprietário do sítio, de 24 alqueires.
O segundo Museu Rural de Porto União, localizado a 18 quilômetros da cidade, foi inaugurado em 2 de junho. Engloba a casa, a vinícola artesanal e o parreiral da propriedade de oito alqueires de Antônio Patel, 75 anos. O parreiral, onde nunca utilizou-se agrotóxicos, foi formado em 1948. Três anos depois, Patel, bisneto de italianos, ergueu a casa, de madeira. Vive nela até hoje, com a mulher e a filha. Só transferiu a cozinha – que na época ficava em um cômodo separado, porque o fogo era aceso no chão.
A produção de vinho é feita desde então no porão da casa. Todo o sistema é artesanal. A maior parte dos equipamentos, como as tinas de fermentação da uva e o sistema de transferência do líquido para os barris de descanso, foram feitos no próprio sítio, com madeira retirada do local. Patel ‘‘construiu’’ também um sistema de produção de ‘‘vinho’’ de laranja, usando um garrafão de vidro de 40 litros e garrafas de plástico.
Nas dois museus já instalados, todas as peças estão catalogadas. As visitas são gratuitas. Segundo o coordenador municipal de Cultura, a prefeitura já está avaliando outros imóveis rurais para tombamento.
Informações: (42) 523-1155

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