Eles são bonitos, sexys e trabalham como modelos. Posam para anúncios e em revistas como Playboy, desfilam nas passarelas de todo o país e são portadores do vírus da Aids.
Ao todo, são setenta e cinco profissionais, vivem na Califórnia e trabalham para a ‘‘Proof Positive’’, a única agência do país especializada em modelos soropositivos.
Tudo começou em 1994, quando o laboratório farmacêutico Abbot contatou Keith Lewis, o dono da agência Morgan Modeling. A Abbot queria um modelo portador do vírus da Aids para promover uma bebida altamente nutritiva, destinada a pessoas infectadas pelo vírus.
‘‘Imagina ter que perguntar à pessoa se ela tinha Aids e depois dizer que queríamos publicar sua foto nas revistas. Já pensou que situação?’’, recorda Keith Lewis.
Mas o anúncio que publicou recebeu resposta de uma centena de pessoas. Modelos magníficos, em grande forma física e dispostos a revelar que eram portadores do vírus. Assim surgiu a agência Proof Positive.
Gente famosaAlguns modelos pertencem a famílias célebres. Ty Ross é neto de Barry Goldwater, um conservador puro e radical, ex-candidato do Partido Republicano na corrida presidencial. Eileen Getty é neta do rei do petróleo J. Paul Getty. Outros, como Rebekka Armstrong, foram modelos-estrelas nas páginas da revista Playboy.
Alguns se tornaram conhecidos através da agência e a revista alem㠑‘Vogue’’ recorreu a alguns deles para um número recente.
Kevin McDermott, que foi dançarino em Las Vegas e serviu de modelo para a Lewis, recorda o alívio que sentiu quando conseguiu trabalho na agência.
‘‘Neste trabalho, se é rejeitado com frequência. É uma resposta que geralmente recebemos. Se a isso se acrescenta a infecção pelo vírus da Aids, dá pra se ter uma idéia do problema’’, explica o modelo.
‘‘Estar infectado é uma coisa em que a gente pensa o tempo todo. Só que aqui as pessoas te dizem: ‘Não tem problema. Você é normal’. Keith devolveu meu orgulho’’, acrescenta Kevin.
Gretchen Adams, 30 anos, modelo e educadora em matéria de HIV, afirma que está feliz por participar nesta empresa que, segundo ela, ajuda a mudar a imagem dos aidéticos.
‘‘Estou contente por poder trabalhar como modelo. Uma mulher que tem uma aparência normal e que pode dizer sim, tenho o HIV, mas isso não é tudo o que me define’’, afirma Gretchen.
Segundo Keith Lewis, a agência vai muito bem, obrigado. Depois dos anúncios para empresas farmacêuticas, surgiram papéis para atores, na televisão e no cinema.
As companhias farmacêuticas pedem seus serviços porque não querem ser obrigadas a admitir, na parte inferior de seus anúncios, que os modelos não estão infectados pelo vírus.
Agora, com o desenvolvimento das novas técnicas de tratamento, as pessoas infectadas pelo vírus vivem muito mais tempo e as vítimas já não são majoritariamente membros das comunidades homossexuais.
‘‘Antigamente, a publicidade era destinada aos gays. Já não é mais o caso. A publicidade agora é destinada a um público tão grande que é quase o contrário’’, acrescenta.

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