Modelos soropositivos têm trabalho nos EUA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 1997
Karen Lowe France Presse Costa Mesa (EUA) 
Eles são bonitos, sexys e trabalham como modelos. Posam para anúncios e em revistas como Playboy, desfilam nas passarelas de todo o país e são portadores do vírus da Aids.
Ao todo, são setenta e cinco profissionais, vivem na Califórnia e trabalham para a Proof Positive, a única agência do país especializada em modelos soropositivos.
Tudo começou em 1994, quando o laboratório farmacêutico Abbot contatou Keith Lewis, o dono da agência Morgan Modeling. A Abbot queria um modelo portador do vírus da Aids para promover uma bebida altamente nutritiva, destinada a pessoas infectadas pelo vírus.
Imagina ter que perguntar à pessoa se ela tinha Aids e depois dizer que queríamos publicar sua foto nas revistas. Já pensou que situação?, recorda Keith Lewis.
Mas o anúncio que publicou recebeu resposta de uma centena de pessoas. Modelos magníficos, em grande forma física e dispostos a revelar que eram portadores do vírus. Assim surgiu a agência Proof Positive.
Gente famosaAlguns modelos pertencem a famílias célebres. Ty Ross é neto de Barry Goldwater, um conservador puro e radical, ex-candidato do Partido Republicano na corrida presidencial. Eileen Getty é neta do rei do petróleo J. Paul Getty. Outros, como Rebekka Armstrong, foram modelos-estrelas nas páginas da revista Playboy.
Alguns se tornaram conhecidos através da agência e a revista alemã Vogue recorreu a alguns deles para um número recente.
Kevin McDermott, que foi dançarino em Las Vegas e serviu de modelo para a Lewis, recorda o alívio que sentiu quando conseguiu trabalho na agência.
Neste trabalho, se é rejeitado com frequência. É uma resposta que geralmente recebemos. Se a isso se acrescenta a infecção pelo vírus da Aids, dá pra se ter uma idéia do problema, explica o modelo.
Estar infectado é uma coisa em que a gente pensa o tempo todo. Só que aqui as pessoas te dizem: Não tem problema. Você é normal. Keith devolveu meu orgulho, acrescenta Kevin.
Gretchen Adams, 30 anos, modelo e educadora em matéria de HIV, afirma que está feliz por participar nesta empresa que, segundo ela, ajuda a mudar a imagem dos aidéticos.
Estou contente por poder trabalhar como modelo. Uma mulher que tem uma aparência normal e que pode dizer sim, tenho o HIV, mas isso não é tudo o que me define, afirma Gretchen.
Segundo Keith Lewis, a agência vai muito bem, obrigado. Depois dos anúncios para empresas farmacêuticas, surgiram papéis para atores, na televisão e no cinema.
As companhias farmacêuticas pedem seus serviços porque não querem ser obrigadas a admitir, na parte inferior de seus anúncios, que os modelos não estão infectados pelo vírus.
Agora, com o desenvolvimento das novas técnicas de tratamento, as pessoas infectadas pelo vírus vivem muito mais tempo e as vítimas já não são majoritariamente membros das comunidades homossexuais.
Antigamente, a publicidade era destinada aos gays. Já não é mais o caso. A publicidade agora é destinada a um público tão grande que é quase o contrário, acrescenta.


