Modelo vira dublê de repórter
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Fábio Dobbs TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasOlivier Anquier prepara reportagens para a Copa do Mundo:
vou falar de uma França que o brasileiro não conheceO modelo francês Olivier Anquier vai virar dublê de repórter durante a Copa do Mundo de 98. Ele foi contratado pela rede Globo para apresentar uma série de reportagens especiais sobre a França. Já foram gravados dez programas ao todo e o francês prepara as malas para embarcar de volta à Paris e concluir a série. Olivier ainda não sabe quantas reportagens serão, mas calcula que sejam três reportagens diárias, que devem ir ao ar no Jornal Nacional ou nos intervalos dos jogos da Copa. Vou falar de uma França que o brasileiro não conhece, planeja Olivier. O francês, que teve uma carreira de dez anos em passarelas da Europa, acabou casado com a atriz Débora Bloch e virou dono de boulangerie em São Paulo - termo do francês para padaria.
Natural de Paris, Olivier quer fugir do lugar-comum das atrações turísticas. Vai passar longe da Torre Eiffel e do Museu do Louvre. Não posso revelar ainda sobre o tema das matérias, senão o público perde a surpresa, escapa. Mesmo assim, Olivier dá pistas de que um dos temas será a noite parisiense. Mas nada que inclua o Moulin Rouge, o Lido ou o Quartier Latin, lugares clássicos das noitadas dos turistas que vão à França.
Apesar de estar há 18 anos no Brasil e já se considerar um verdadeiro tupiniquim, Olivier garante que não perdeu o contato com a França. Visito a França pelo menos três vezes ao ano, contabiliza. A influência francesa ainda persiste a ponto de deixar o coração de Olivier dividido caso aconteça uma partida entre Brasil e França nessa Copa. Mas acho difícil a França chegar até as quartas-de-final, lamenta.
Mas, por sorte do francês, o futebol vai ficar de fora das reportagens. Olivier entra em campo mesmo para falar de variedades e agradar ao público feminino. A estratégia da Globo é juntar casais em frente à tevê nessa Copa, afirma. O francês calcula que 80% do público que assiste aos jogos da Copa do Mundo é masculino e vai fazer de tudo para atrair as telespectadoras. Para isso, conta com o visual de modelo que já emplacou campanhas para grifes como Lavin, Armani e Versacci. No Brasil, Olivier já recebeu convites para fazer novela, no entanto, nunca aceitou. Não me considero um galã, escapa.
Com a estampa de modelo internacional, Olivier não gosta muito de falar sobre seu físico Tenho 1,86 m de altura e acho que não preciso dizer o peso. Certamente, Olivier deve ter perdido um pouco a forma depois que começou no ramo de pães. Eu trouxe o verdadeiro croissantpara o Brasil, gaba-se. Além do croissant, Olivier prepara pães artesanais, brioches e o tradicional pain au chocolat francês, um pão que leva recheio de chocolate.
Apesar de ser especialista na confecção de pães, Olivier também arrisca outros campos da culinária, como o programa que teve na Record, Forno, Fogão & Cia. Foi daí que veio minha intimidade com a câmara, acredita. Como dublê de repórter, no entanto, Olivier vai precisar mais que mostrar temperos e pratos. Ele vai sair às ruas para entrevistar personalidades e pessoas comuns. Olivier assegura que vai tirar de letra até mesmo a famosa antipatia e a arrogância parisiense. O jeito de acabar com essa arrogância é responder no mesmo tom e mostrar que é superior, dá a receita. Uma tarefa fácil para quem é natural da terra.


