MODA VERDE-AMARELA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de abril de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma noite com a cara da moda brasileira. Esta pode ser a melhor definição do terceiro dia de apresentações do Crystal Fashion, anteontem. Quem abriu os desfiles foi a TNG de Tito Bessa Júnior. A empresa brasileira já faz moda há 15 anos e tem como característica principal valorizar temas e produtos nacionais em suas coleções.
''As peças apresentadas ainda não estão nas lojas. Mas eu continuo com a proposta de usar produtos nacionais, mesmo tendo algumas matérias-primas importadas, valorizo o que é daqui. Trabalho com 95% de tecidos feitos no Brasil. E vou continuar também valorizando a arte e a cultura brasileira, independente da tendência. Meu trabalho é voltado pra isso'', contou Bessa Júnior, em rápida entrevista no backstage.
E a passarela traduziu com veemência a idéia do dono da grife. Um fio de trabalho onde conceito e comercial se encontram na ponta do emaranhado de idéias. Nesta coleção os homenageados foram os exploradores do Brasil.
Na passarela, uma atitude forte impressa na modelagem das calças masculinas e femininas e na lavagem delas. Roupas com cara de desgastadas pelo uso em expedições (uma tendência que YSL e Gucci estão imprimindo em suas mais recentes coleções, fato que reflete que quem faz moda está em um mesmo diapasão).
Nos artesanatos presentes em bolsas e echarpes, feitas à mão, uma sensação de que a moda TNG não é pasteurizada. E não é mesmo. Até quando aparece o paetê, peça que sempre acaba voltando a ser fundamental no guarda-roupa feminino, a proposta é original. Um vestido curto, com cara de jaqueta e uma estampa, criada com base nos mapas dos rios brasileiros que foram fonte de trabalho de exploradores, servem como exemplo de que ser comercial é fundamental, mas a criação jamais deve ser deixada de lado. Ah! As botas estavam um luxo. Tanto as que o ator convidado Rodrigo Faro usou quanto as que Nívea Stelmann desfilou.


