O universo que aborda a moda em Curitiba passou todo 2001 tentando administrar as crises. No início do ano, com as constantes elevações do dólar e com um passado um tanto negativo, as confecções nacionais e estaduais apresentaram coleções inexpressivas. Nenhuma delas investiu em novidade. Foi o ano das famosas ''revivals'', traduzindo para o bom entendimento, o ano de relembrar o que foi moda no Século 20. Década por década.
Nesta maratona de buscas referenciais no passado, quem saiu ganhando foi a famosa geração coca-cola, a que foi adolescente nos anos 80. Muita gente aproveitou a facilidade de uma moda que era baseada basicamente no preto e nas tachas. Nesta onda, embarcaram a grife mineira Vide Bula (que vende em algumas das principais lojas da Capital), a Sexxes (grife curitibana) e muitas outras.
Os cabelos voltaram a ficar desarrumados, deixando de lado definitivamente o modelo 'patricinha'. Falando nelas, as mais bem arrumadas meninas da cidade não deixaram de ter onde comprar seus coloridos e dourados modelos preferidos. Em Curitiba algumas grifes locais ainda dão preferência para a moda delas. Gente como a estilista Louise Alves. Ela é uma espécie de embaixadora das 'Patrícias' da Capital.
Um estilo que ganhou força no ano foi o brechó. Como as coisas não andam fáceis para ninguém e uma roupa de grife pode significar um rombo estrondoso no orçamento, apostar na originalidade de roupas usadas e de outras épocas virou uma boa alternativa para quem não fica sem comprar.
Com os problemas do terrorismo nos Estados Unidos, o mercado mundial da moda ficou mais abalado ainda. Quem já estava com as coleções de verão dentro das caixas para colocar nas lojas sofreu um grande baque. Sem arriscar errar, as vendas deste segundo semestre não devem deixar saudades e o que se viu nas coleções foi uma espécie de ressaca de criação. Quase nada de novo, a não ser uma maravilhosa homenagem a uma época em que o romantismo e a sensualidade feminina dos decotes eram fortemente explorados.
E o que alavancou a volta dos espartilhos ou corseletes, aquelas peças cheias de rendas, ilhóses e fitas? Sem dúvida alguma, uma das maiores produções cinematográficas do ano: o longa-metragem ''Moulin Rouge''. Ele representou uma volta estratégica do mundo do cinema aos tempos dos maravilhosos musicais. Os trajes da atriz principal do filme, Nicole Kidman, inspiraram criadores de todos os cantos do planeta, dando um pouco de graça às criações que viraram consumo durante o sonso ano que a moda viveu em 2001.

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