Moda embrulhada para presente
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sábado, 24 de janeiro de 2004
Karla Matida<br>Reportagem Local 
É claro que o presente para os 450 anos de São Paulo teria que ser especialíssimo. Por conta disso, cada um se virou como pode. De minissérie na televisão a espetáculos diários durante todo o mês de janeiro, foi tudo pensado na data, o aniversário da maior e mais cosmopolita cidade do Brasil comemorado amanhã. E a moda não poderia ficar de fora das celebrações. Tanto não ficou que a partir das 20 horas de domingo, o estacionamento do Palácio das Indústrias, sede da Prefeitura Municipal, irá se transformar em passarela das mais disputadas.
Trinta e sete grifes participantes da São Paulo Fashion Week estarão apresentando looks confeccionados exclusivamente para o evento, que tem a direção de Paulo Borges. A promoção é fruto de uma parceria da Vivo e do Calendário Oficial da Moda Brasileira, responsável pela organização da SPFW e do Amni Hot Spot.
Cidade dos contrastes, das várias raças de imigrantes tanto de fora do País, como de outros estados brasileiros, São Paulo chega aos 450 anos com fôlego (é certo que um tanto prejudicado pela poluição dos carros e indústrias) para outros tantos. No quesito moda, a SPFW, tem apenas sete anos de vida e desfiles e já se consolidou entre as cinco semanas de moda mais importantes do mundo, ao lado de Nova York, Milão, Paris e Londres.
E como presente para a anfitriã, estilistas puderam criar à vontade a partir de um tema proposto pela diretora artística e cenógrafa Daniela Thomas, que queria para o desfile ''celebrar seu ecletismo (de São Paulo) que é sua essência''.
Além de Paulo Borges, na direção geral, e de Daniela Thomas na direção artística, o evento ainda conta com o trabalho do stylist Paulo Martinez, responsável pela ''imagem de moda'' da noite. O cabeleireiro e maquiador Duda Molinos assina a concepção de beleza. No comando do som, DJ Zé Pedro. Da trilha sonora à cenografia, o objetivo é o mesmo, remeter à arquitetura, movimentos artísticos e culturais de São Paulo.
Com liberdade para criar modelos sem pretensões comerciais, os estilistas puderam ficar à vontade na concepção do que vão apresentar. No caso do mineiro Ronaldo Fraga, claro que tudo começa com uma historinha, dessa vez a história das irmãs Jussara e Juraci, de Orialinda do Norte, interior da Paraíba. Nascidas xifópagas, as duas eram a atração principal do Circo Transberlim.
Como nas muitas histórias de imigrantes que São Paulo vem tomando conhecimento nesses anos todos, o circo nordestino resolveu tentar a sorte no ''sul maravilha''. Se no nordeste, o espetáculo era só sucesso, em São Paulo, as platéias eram menores, bem menores. Mas, quem diria, as irmãs acabaram tendo sorte. Depois de uma cirurgia no Hospital das Clínicas as duas foram separadas e não sobrou nem cicatriz. Mesmo assim, continuaram inseparáveis, mas enquanto uma quer voltar para a Paraíba, a outra quer seguir como fotógrafa lambe-lambe na Praça da República. Entre os oito milhões de moradores de São Paulo, uma história assim bem que poderia ser verdadeira.
Além da visão do estilista mineiro, o desfile também vai contar com criações cariocas, paranaenses (o curitibano Jefferson Kulig ainda segue como o único representante do Estado no evento), entre outros estados. Isso sem contar que cada estilista já carrega no sangue outras tantas misturas de raça. É a cara da aniversariante São Paulo.


