Curitiba - Foi o estilista Júnior Gabardo quem abriu a rodada de desfiles do Curitiba Fashion Art que dura até sábado no Cietep. Veterano no mundo da moda local, Gabardo é idolatrado pela ala adolescente da cidade. Além disso, tem suas roupas vendidas no interior, em Santa Catarina e São Paulo, onde tem lojas.
Sem surpresas, a apresentação da Sexxes, marca que o estilista adota e que agora começa a ganhar algumas vezes segundo plano para dar ao nome do criador um espaço maior, mostrou exatamente o que o consumidor está acostumado a comprar e quer consumir mais.
Cinquenta passagens fundamentadas num conceito de globalização. Na abertura do desfile, em um vídeo institucional, Júnior explicou para quem está criando: roupas para jovens que moram aqui e têm amigos no Japão. Para quem faz cursinho e não quer ser identificado pelo bairro como alguém que nasceu e foi criado ali.
Fazendo contraponto ao regionalismo impresso com o mote das araucárias - apresentado no desfile de abertura pelos estudantes das faculdades de moda do Estado (leia matéria na página 3) - as peças apresentadas na noite de terça querem mostrar ao mundo que podem ser usadas em qualquer parte dele.
Os jeans, suas texturas e as cores continuam sendo a parte alta da Sexxes. Quando a marca se propõe a inventar um conceito ou um arrojo que não lhe é peculiar há uma certa perda de rumo.
Se no mundo inteiro o punk está de volta (como a dupla de estilistas italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana acaba de mostrar em Milão) os jovens vão querer usá-lo em sua totalidade. Por trás da atitude irreverente dos adolescentes existe uma grande resistência ao que ainda não foi usado por seus ídolos, sejam eles cantores de rock ou o namorado da vizinha maravilhosa.
E foi isso que deu para perceber na primeira apresentação do evento de moda mais autêntico do Estado. Roupas legais que tem público consumidor. Criações esfarrapadas com viagem por uma cartela de cores que percorreu o vermelho ácido, o amarelo, o lilás até chegar ao preto.
Tecidos mais noite como o devorê (transparência com relevos em veludo) foram usados em blusas e na saia que deixava o bumbum da modelo à mostra. ''Elas usam mesmo. Não sei se isso é a valorização do corpo ou a desvalorização dele'', alfinetou uma das convidadas na platéia. E uma atitude que tem seguidores. Se a moda que o Paraná quer fazer é para vender, o estilista criador da Sexxes está no caminho certo. Vai produzir em grande escala, gerar empregos, esquentar a economia. Sem delírios, o movimento fashion estadual navega em mares tranquilos.
Serviço:
Desfiles de hoje
- Senorita Rosita às 19h30
- Karina K às 21 horas
O Cietep fica na Avenida das Torres 1.341, em Curitiba.

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