MODA - Xeque-mate
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Karla Matida<br> Enviada a São Paulo 
Foi inspirado em sua própria casa que Marcelo Sommer desenvolveu a coleção que marcou seu retorno à passarela da São Paulo Fashion Week após ficar de fora na edição passada. Do cobertor xadrez aos tacos do piso, os detalhes do lar doce lar do estilista - que aliás assina assim sua nova grife ''do Estilista'' - viraram referências para as criações outono-inverno.
Sommer continua divertido e fazendo questão de relembrar sua infância nas peças coloridas. Aliás, o desfile - que encerrou a SPFW na segunda fashion - foi um colírio para os olhos que passaram um semana inteira assistindo ao vaivém de pretos e cinzas, tons predominantes no evento paulistano. Mas apesar da seriedade da cartela de cores, a SPFW encerrou a temporada com espírito otimista apostando na moda brasileira.
O saldo é positivo quando se coloca na balança as 38 apresentações que movimentaram o Parque do Ibirapuera. Principalmente porque o evento já começou cheio de boas intenções. Proibiu a participação de modelos com menos de 16 anos, fez palestras sobre saúde e também colocou muita gente para pensar no futuro do planeta com a questão da sustentabilidade ambiental e social. Também entram nesta lista de prós as três estréias de Wilson Ranieri, Simone Nunes e Priscilla Darolt, escolhas que se mostraram acertadíssimas.
Contabilizando sua oitava participação na semana de moda paulistana, o curitibano Jefferson Kulig - única grife paranaense participante - mostrou mais do seu futurismo, agora híbrido, em mulheres-máquinas e estampas de esqueletos robóticos. A influência futurista, aliás, é das mais fortes da estação ao lado dos anos 1960 e 1980. Das décadas passadas foram resgatados os vestidos na linha A, as mangas morcegos, os volumes nos ombros e o vinil. O xadrez não faz grandes alardes mas vai estampar peças esssenciais no guarda-roupa outono-inverno. Tanto no cobertor de verdade de Marcelo Sommer, quanto no trabalhado em couro de Patrícia Viera. Cada um ao seu estilo.
Mas a grande aposta é o volume na parte de cima. Golas generosas e triângulos invertidos (poder para os ombros) apareceram com muita atitude. Agora é esperar para ver se vão ser incorporados ao dia-a-dia. As novas coleções começam a desembarcar nas lojas depois do Carnaval.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento
Drops Fashion
- A última moda da moda é falar sobre DNA. As três letrinhas são recorrentes quando alguém quer definir uma grife ou um estilista e dispara, por exemplo, essa modelagem está no DNA da marca. Pura genética fashion.
- Botinhas de cano curto que prometem ser uma das vedetes do outono-inverno já deram o ar da graça entre as antenadas da platéia. O que só reforça a promessa de hit da temporada.
- Não é só coisa de revista ou desfile: as bolsas gigantescas foram incorporadas à vida real. Ou o mais próximo disso que possa ser uma semana de moda.


