The End. Fim. Acabou mesmo. Mas não se preocupe porque daqui seis meses tem mais São Paulo Fashion Week. Ontem de manhã, no comecinho do fim, a carioca Isabela Capeto foi a primeira a desfilar na terça-feira fashion, sétimo e último dia do evento. Com gostinho de ‘‘cereja do bolo’’ que deixaram para saborear no final, o desfile estava entre os mais aguardados – já que marcava a estréia dela em São Paulo - e não decepcionou.
  Numa viagem criativa à África, Isabela trouxe cores fortes e a delícia artesanal. Algumas peças foram tão ricamente bordadas com tachinhas, sianinhas e aplicações de tecidos (que já viraram marca registrada) que tiveram que passar até por três bordadeiras diferentes. Lembrando quelóides formados de cicatrizes que algumas tribos usam para enfeitar o corpo, as bolinhas de metal aplicada criaram um efeito tanto visual quanto sonoro. O coração flechado segue nas estampas e nos acessórios conquistando de vez os corações fashionistas.
  Na segunda-feira, duas outras estréias em momentos e estilos diferentes. De manhã, numa mansão no bairro do Morumbi, o desfile da Raia de Goeye, das estilistas Paula Raia e Fernanda de Goeye. A sedução da dupla pode vir tanto em vestidos curtos quanto nos longos. Seja qual for o comprimento, os recortes revelam o corpo e valorizam as formas preocupando quem não estiver assim tão em forma.
  A outra estréia do dia foi a VR Menswear, que aposta na tendência hi-lo para os homens no verão. O resultado é a mistura de um paletó de terno com uma bermuda esportiva. O tema é o rústico e os tons são os cáquis. O charme fica por conta das echarpes bem fininhas usadas por dentro das camisas.
  Única grife paranaense representada na SPFW, o curitibano Jefferson Kulig mudou ligeiramente seu jeito de apresentar seu conceito de moda e agradou. O final do desfile teve um quê de protesto nos vestidos estampados. E quem tinha papel e caneta por perto correu para copiar a frase ‘‘triste época mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito’’.
  De modo que quem tinha algum pré-conceito (por conta das experimentações anteriores), acabou entendendo tudo bem melhor.
  Entristecido pela morte de uma grande amiga (a estilista Mabel Magalhães, umas das fundadoras do lendário Grupo Mineiro de Moda), Renato Loureiro quase pensou em desistir de se apresentar para poder voltar para Belo Horizonte para acompanhar o enterro. ‘‘Mas é nessas horas que a gente tem que se mostrar profissional’’, disse ele. Melhor para o público, que não ficou sabendo do acontecido e pode apreciar o trabalho de Loureiro, sempre com um pé no artesanal. O patchwork chega em versões coloridíssimas ou só no dourado. A bermuda branca (justa e na altura do joelho) acompanha todas as produções.
  Agora só falta mesmo casar e ter filhos por aqui para Naomi Campbell ganhar de vez o título oficial de ‘‘coisa nossa’’. É que ela anunciou, pouco antes do desfile da Rosa Chá, que está lançando uma linha de biquínis com seu nome. As peças serão produzidas e distribuídas mundo afora pela Rosa Chá. A nova linha só chega ao mercado em setembro. No desfile de segunda-feira, Naomi desfilou as criações de Amir Slama que aposta num verão ‘‘feliz e erótico’’. As cavas subiram ainda mais expondo os corpos (até mesmo as sungas estão assim cavadíssimas).
  No segundo desfile exclusivamente masculino do dia, Alexandre Herchcovitch mostra um homem sem medo. Sem medo de usar cores – uma estampa hippie anos 1970 -, de vestir uma pseudo-saia (pense num cinto que tenha um tecido só na frente) e aparecer numa festa com um mini-paletó. Os bonés bordados artesanalmente com caveiras e outros desenhos ultra-coloridos já nascem hits.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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