MODA - Verão com sotaque
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quarta-feira, 14 de setembro de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
A tecla está sendo batida insistentemente e não há mal algum nisso. Primeiro se falou em agregar valor ao produto feito no Brasil como um todo cerca de 10 anos atrás surgia a São Paulo Fashion Week. Depois foram os estados brasileiros que começaram a movimentar suas indústrias regionais. O Paraná, segundo pólo confeccionista do País, entrou na onda e já começa a obter resultados.
Londrina também resolveu fazer desabrochar sua vocação fashion e partiu em busca de uma identidade de moda para as criações feitas na cidade. Eis que surgiu o Estação Fashion Londrina. Na terça-feira, no primeiro dia de desfiles, o evento mostrou as coleções das grifes Rouparia Brazil, Habto Plus, Mulher Elástica, Lucca Sportswear e Fúria.
A estilista Fátima Ericsson passou os últimos 20 anos criando principalmente com o tricô como base para a sua Rouparia Brazil. Mas o desfile de terça-feira, foi a estréia na passarela. Surpresa agradabilíssima, aliás. Saias e vestidos contrapondo o tricô industrializado com o artesanato. Bordados, estampas pintadas à mão e recortes que evocam a árvore Flamboyant, inspiração máxima da estilista que até parecem feitos a laser, mas são fruto de muita paciência, já que foram feitos manualmente.
Em busca de um tesouro perdido, Sonia Borghesi pensou em piratas para o Verão 2006 da Lucca Sportswear. O que não significa grandes mudanças no shape clássico da estilista, mais reto. Ela brinca sutilmente com algumas nervuras nos bolsos e em alguns franzidos na barra das calças corsário (que não poderiam faltar). O cáqui é cor-chave da estação ao lado do branco e o vermelho esquenta a cartela.
A mistura inusitada de cores da Mulher Elástica já é um caso história à parte nessa história toda que é revisitar os cabarés franceses e transformar o perfume parisiense em roupas que, a princípio, são para ginástica. Sucesso entre as adolescentes que muitas vezes nem vão para a academia. Para o verão Tatiana Krzyzanowski brincou com laços e fitas de cetim, pink, roxo e verde-limão e recortes que transformam o bumbum em um coração (uma nova geração das tão adoradas calças da grife).
Os homens também não ficam atrás. Dos cinco desfiles, dois foram exclusivamente masculinos. Se bem que é verdade que se depender das grifes Fúria e Habto, eles não vão ter o que cobrir as pernas. É que a primeira faz camisetas com a assinatura de Giulianno Menegazzo (ex-Slam) e a segunda, camisas. Enquanto a Fúria é punk rock num protesto contra a moda de excessos, a Habto não se excede nem nas cores e fica apenas nos tons pastel.
O ponto alto é que mesmo com a chuva toda de terça-feira, o público não se intimidou e foi ver as coleções. Um incentivo e tanto para que os criadores e empresários da cidade continuem nos trilhos da moda.
Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar a coluna de Gastronomia.


