Curitiba - A nata da sociedade curitibana se reuniu anteontem para uma inusitada noite de moda nas dependências do Museu Oscar Niemeyer (MON). As empresárias donas da loja multimarcas Bazaar – espécie de Daslu paranaense – Adriana Omeiri, Marcia Cardoso de Almeida e Solange Elias mostraram com exclusividade as roupas da grife Talie, da paulistana Natalie Klein.
  Aos 27 anos e com o peso do sobrenome do avô Samuel Klein – dono da rede de lojas Casas Bahia – nas costas, a estilista mostrou que soube aproveitar as regalias que a bem-sucedida saúde financeira familiar lhe proporcionou.
  A coleção, apresentada na parte de baixo do MON e que extra-oficialmente – fruto do ti-ti-ti que sempre acontece nos bastidores desses eventos – custou um aluguel de R$ 15 mil, tem um quê de roupa americana de boa qualidade. Algo permeando entre Calvin Klein e Donna Karan.
  As primeiras passagens trouxeram uma invasão de brancos. Um momento bem internacional. Os cabelos lisos, escorridos com pequenas tranças de couro usadas para dar um look rock’n roll anos 70. A trilha escolhida para abrir a apresentação foi da banda inglesa Oasis.
  A passarela foi montada em cima de quadrados de vidro, com marcações coloridas que serviam de orientação. Por ela as modelos transitavam tranqüilas, evidenciando a atitude que a própria Natalie parece ter com sua vida. ‘‘Acho que nessa coleção mostramos o nosso melhor momento. Conseguimos uma identificação total com o público que a gente quer atingir’’, explicou a estilista que desembarcou em Curitiba com uma equipe de maquiadores, cabeleireiros e com Cila Schulmann. Isso mesmo, a ex-secretária de Estado da Comunicação Social no governo Jaime Lerner (PSB).
  Depois da profusão de brancos que mostraram calças largas, tops, batas, sandálias baixinhas, começaram a aparecer tons pastéis que foram se transformando sutilmente. Do areia para o que pareceu ser um rosa muito claro e daí para o verde, também clarinho. A melhor peça do desfile um terno de linho, usado duas vezes maior que o tamanho da modelo (as calças oversizes são uma das maiores apostas dos modernos do mundo inteiro!). O preto esteve em poucas passagens.
  De estrela a modelo e VJ da MTV Daniela Cicarelli. Mais magra e com os cabelos bem mais escuros, apareceu pouco, mas ficou linda quando mostrou um look verde bandeira. Aí mais uma peça-chave para a estação: a bermuda. A peça foi febre no recentemente findado verão europeu e chega aqui como uma boa oferta, para quem gosta de aliar conforto à moda.
  Ganharam as convidadas para a apresentação que indicava ser indispensável o convite. A coleção inteira da Talie é usável. Boa a maneira como Natalie usa as referências internacionais. Tecidos de qualidade como o crepe de seda, o linho e o cetim brocado tornam as peças da Talie uma excelente compra para quem tem poder de fogo para entrar numa loja sofisticada como a Bazaar.
  Uma oportunidade também para quem tem medo de simplificar a produção. Todas as peças são finas, carregam um certo ar de sucesso em seu acabamento, mas são descomplicadas. Ao final, foi oferecido um elegante coquetel regado a champanhe nacional e acepipes (petiscos) preparados pela londrinense Adriana Carioba.
  Depois disso, uma mostra de que as coisas no Paraná estão mudando. Um gigantesco caminhão das populares Casas Bahia estacionado nos fundos do evento recolhia o material utilizado no evento. Enfim a sociedade curitibana começa a relaxar um pouco, respira ares mais arejados. Ainda bem.

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