Até o dia 29, quando acaba a edição outono-inverno da São Paulo Fashion Week (SPFW), o vaivém das passarelas deverá confirmar algumas das influências-chaves da temporada: preto e cinza, anos 1960 e 1980, o esportivo e o futurismo. Mas no primeiro dia do evento - recheado de apresentações autorais e especialíssimas sem se prender a tendências - o assunto recorrente nos corredores do prédio da Bienal, onde acontece a semana de moda paulistana, foi a sustentabilidade. Engajada na proteção ao meio ambiente e com o futuro do planeta, a SPFW firmou parcerias com ONGs e institutos que dividem as mesmas preocupações.
Das embalagens Tetra Pak, que vêm ganhando oficinas de reciclagem pelo País, ao Carbon Free - que tem o objetivo de neutralizar os gases emitidos plantando árvores -, a moda cumpre seu papel de estar sempre olhando para o futuro. E com muita responsabilidade. Não por acaso, um dos desfiles mais bacanas da quarta fashion foi o da Osklen, que desde 2000 tem a sua e-Brigade, fundada por Oskar Metsavaht e que agora está lançando os e-fabrics. São tecidos de sustentabilidade ambiental ou social comprovadas. No Paraná, a seda orgânica produzida em Maringá é um destaque nessa onda ecofashion. Na passarela da Osklen uma legião chiquérrima de guardiões da Amazônia.
O estilista Alexandre Herchcovitch encerrou o primeiro dia da SPFW olhando para os trabalhadores rurais e interpretou à sua genial maneira o vestuário dos bóias-frias. Sacos de lixo viram vestidos e saias, a sobreposição é caprichada com imagens fortes para marcar esta edição. Reinaldo Lourenço abriu a temporada relembrando o personagem Mad Max, que por sinal vivia num futuro árido e cheio de privações. Algo que não precisa ser moda no planeta dos nossos netos e dos netos deles.
Em tempo, a quarta fashion trouxe o azul como presença obrigatória nas passarelas. A cor acendeu o desfile que marcou o retorno de Giselle Nasser. Na nova fase da Forum, a inspiração de Tufi Duek veio dos traços de Niemeyer e os contornos de Brasília. Fause Haten olhou mais longe e foi para o Oriente Médio. Ainda no espírito ecológico, a Uma por Raquel Davidowicz aposta nos tecidos que misturam fibra de bambu.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

mockup